Estudantes tomaram a primeira dose de CoronaVac, e diante da falta do imunizante, procuraram novamente o posto e tomaram uma dose da AstraZeneca, omitindo que haviam recebido a vacina anterior. Eles responderão por estelionato, falsidade ideológica e infração de medida sanitária. CoronaVac Porto Alegre
Cristine Rochol/PMPA
Quatro estudantes de Medicina da PUCRS, de Porto Alegre, foram indiciados nesta terça-feira (24) após omitirem que haviam se vacinado com a CoronaVac para tomar uma dose de AstraZeneca.
Eles responderão por crimes de estelionato, falsidade ideológica e infração de medida sanitária. Por esse último crime, os delegados Marco Antônio Souza e Gabriel Bicca, também recomendaram a prisão preventiva deles.
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A PUCRS informou em nota que acompanha o caso e se mantém à disposição das autoridades policiais. Leia a íntegra abaixo.
O caso iniciou em abril, quando os estudantes, por estarem no curso de Medicina e atuarem dentro de hospitais, entraram no grupo prioritário da vacinação contra a Covid. Ao serem incluídos em uma lista, encaminhada pela universidade, tomaram a primeira dose em um posto da Capital, do imunizante CoronaVac.
Conforme o delegado Marco Antônio Souza, em maio, a cidade passou por falta de imunizantes da fabricante. Quando foi retomada a aplicação de primeira dose, abriu com AstraZeneca.
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“Eles se aproveitaram da situação, omitiram o fato, não levaram a carteira de vacinação e aí tomaram a segunda, já de AstraZeneca”, diz o delegado.
A Secretaria de Saúde, ao lançar os dados dos estudantes no sistema de cadastro de vacinação, percebeu que eles já haviam se vacinado. A universidade e a polícia foram avisadas.
“Inicialmente não se pensava que fosse crime”, esclarece o delegado. Em depoimento à Polícia Civil, os estudantes tentaram alegar que se enganaram e foram levados a erro ao tomar a segunda dose de outro imunizante.
“A gente conseguiu demonstrar que estava claríssimo se tratava que eles tinham ciência e queriam AstraZeneca”, afirma o delegado.
O crime de estelionato está caracterizado já que eles ludibriaram alguém para obter vantagem indevida, nesse caso as vacinas. Por terem omitido a primeira vacinação, foram enquadrados em falsidade ideológica.
Além disso, no entendimento da Polícia Civil, contribuíram para que outras pessoas não se imunizassem no tempo certo, o que configura infração de medida sanitária.
O poder judiciário deve analisar o pedido de prisão preventiva e o inquérito.
Nota da PUCRS
A PUCRS seguiu todas as orientações das autoridades competentes na ocasião em que encaminhou a nominata dos alunos aptos para a realização da vacina contra a COVID-19 à SMS. Ao mesmo tempo, prestou todos os esclarecimentos sobre os critérios e forma de vacinação estabelecidos pelos órgãos públicos de saúde. Assim que tomou conhecimento dos atos dos referidos estudantes, em abril deste ano, a PUCRS imediatamente advertiu os quatro alunos e reforçou as orientações sobre as regras do processo de vacinação para toda a sua Comunidade Acadêmica, bem como manteve-se acompanhando os estudantes envolvidos quanto a possíveis efeitos adversos. Após a advertência inicial, a Universidade manteve-se acompanhando a investigação, aguarda a conclusão do inquérito policial e seus desdobramentos, e permanece colaborando com as autoridades.
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