Município ainda vai indenizar concessionárias privadas que operarem linhas da Carris durante greve. Categoria protesta contra projeto de privatização da empresa pública. Prefeito Sebastião Melo se reuniu com servidores da Carris em Porto Alegre
Mateus Raugust/PMPA
A Prefeitura de Porto Alegre publicou, nesta segunda-feira (23), um decreto requisitando veículos para cobrir o serviço da Companhia Carris Porto-Alegrense, cujos servidores estão paralisados desde o início do dia. O município solicita bens e empregados das concessionárias privadas, lotações e vans escolares.
Os servidores da Carris protestam contra o projeto de privatização da empresa pública e contra a proposta de redução do número de cobradores na cidade.
Conforme o município, as empresas privadas concessionárias do sistema serão indenizadas por quilômetro rodado. Já os transportadores por lotação e escolares serão remunerados diretamente pelos passageiros transportados, que pagarão a tarifa de R$4,80.
O prefeito Sebastião Melo (MDB) afirma que irá descontar os repasses regulares do município à Carris no final do mês.
“Nós vamos requisitar trabalhadores da vida privada para dirigir ônibus ou botar o sistema privado. Vou abrir para os lotações pegarem passageiros das linhas da Carris. O dinheiro que eu pagar para o privado, não vou mandar no final do mês para a Carris”, explica.
Melo diz estar dialogando com a categoria. A prefeitura pediu, no Judiciário, o reconhecimento da ilegalidade da greve, além de determinar o corte de ponto dos servidores grevistas e a suspensão dos salários.
A categoria deve se reunir para decidir se mantém ou não a greve. Na próxima quinta (26), funcionários da Carris e representantes da prefeitura voltam a se reunir para discutir os projetos em pauta.
Protesto de rodoviários afeta linhas de ônibus da Carris em Porto Alegre
Privatização da Carris
Especialistas consultados pelo G1 em junho, quando o projeto de privatização da Carris foi apresentado, analisaram a medida.
Para o coordenador de Mobilidade Urbana do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Rafael Calabria, a proposta não resolve o problema do financiamento do transporte público coletivo na Capital.
“Entre privatizar tudo e estatizar tudo, se tem vários meios-termos”, avaliou.
O engenheiro Rodrigo Tortoriello, secretário de Mobilidade Urbana no governo de Nelson Marchezan Jr (PSDB), defende a privatização da companhia.
“A empresa apresenta algumas ineficiências, comparadas com empresas privadas”, considerou.
A Carris foi fundada em 1872, quando Porto Alegre completava 100 anos, operando bondes tracionados por mulas. Em 1908, começaram a circular as primeiras composições elétricas da empresa. Os primeiros ônibus da companhia entraram em operação em 1929.
Até então privada, a Carris foi encampada pela prefeitura em 1954, na gestão de Ildo Meneghetti, em razão dos problemas financeiros da empresa norte-americana Bond & Share.
Carris foi fundada em 1872, operando linhas de bondes em Porto Alegre
Alex Rocha/PMPA/Divulgação
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