Temperatura de 33,8°C registrada pelo Inmet supera recorde que resistia desde 1941 e reacende debate sobre mudanças no clima gaúcho.
Porto Alegre viveu, na sexta-feira, 17 de julho, uma tarde atípica para o inverno. Os termômetros da estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), instalada no bairro Jardim Botânico, marcaram 33,8°C, valor que se tornou a maior temperatura já registrada em um mês de julho na capital gaúcha desde o início das medições regulares, em 1910. O recorde anterior, de 32,9°C, havia sido estabelecido em 30 de julho de 1941 e repetido em 25 de julho de 1987, portanto se manteve intacto por 85 anos. A nova marca representa mais de 13°C acima da média histórica das máximas do mês, que fica em torno de 19,7°C, considerando a série climatológica de 1991 a 2020.
Segundo a MetSul Meteorologia, o fenômeno teve origem em uma massa de ar excepcionalmente quente, impulsionada por uma corrente de jato em baixos níveis com vento norte atipicamente intenso, que trouxe ar quente vindo da Bolívia e do Centro-Oeste brasileiro até o Rio Grande do Sul. O alerta para a possibilidade de recordes já havia sido emitido pela empresa de meteorologia no dia anterior. Outras regiões do estado também sentiram o calor fora de época: em Três Forquilhas, no litoral norte, a temperatura chegou a 37,8°C, um índice ainda mais alto do que o registrado na capital.
O que motivou o calor fora de época
O bloqueio atmosférico que impediu a chegada de frentes frias foi o principal fator por trás da anomalia térmica. Esse tipo de bloqueio faz com que o ar quente permaneça represado sobre a região por mais tempo do que o habitual, adiando o resfriamento típico do inverno gaúcho. Meteorologistas apontam que esse tipo de padrão, embora não seja inédito, tem se tornado mais frequente nos últimos anos, o que reforça a hipótese de que as mudanças climáticas estão alterando o comportamento das estações no sul do país.
A previsão indicava que o calor intenso se estenderia ainda por mais um dia, com o sábado, 18 de julho, apresentando máximas próximas às da sexta-feira. Depois desse período, uma frente fria mais consistente deveria provocar uma queda expressiva nas temperaturas, acompanhada de chuva volumosa em diversas áreas do estado, com estimativas de acumulados que poderiam chegar a 300 milímetros em pontos específicos.
Impacto no dia a dia da população
O calor fora de época obrigou moradores a mudarem hábitos típicos do inverno. Shoppings, parques com sombra e outros ambientes climatizados se tornaram destino de quem buscava alívio durante as horas mais quentes do dia. Esse tipo de adaptação rápida costuma ocorrer quando picos de temperatura surpreendem a população fora da época esperada, já que o planejamento de rotina para o inverno normalmente não prevê cuidados com calor extremo.
Especialistas em saúde pública costumam recomendar, em episódios como esse, atenção à hidratação constante e ao uso de protetor solar, mesmo em pleno mês de julho, além de evitar exposição prolongada ao sol nos horários de maior intensidade. A chegada da chuva prevista para os dias seguintes também exige atenção redobrada, já que a alternância brusca entre calor extremo e temporais pode gerar transtornos como alagamentos pontuais e quedas de árvores em áreas mais vulneráveis da cidade.
O episódio de calor de 17 de julho entra para a história da climatologia de Porto Alegre como um marco que reforça a necessidade de a cidade se preparar para eventos extremos cada vez mais frequentes, tanto de calor quanto de chuva intensa. A oscilação registrada em poucos dias, de temperaturas de verão para uma frente fria carregada, ilustra o desafio que órgãos de defesa civil e de meteorologia enfrentam para orientar a população em tempo hábil.
Fontes consultadas:
https://metsul.com/porto-alegre-tem-dia-mais-quente-em-julho-em-116-anos/
https://agorars.com/agora-no-tempo/porto-alegre-recorde-calor-julho-33-8/
