Por que o design valoriza peças artesanais e únicas?

Emilio Marvento
Emilio Marvento
Daugliesi Giacomasi Souza

Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, acompanha uma mudança que vem ganhando espaço no design de interiores: a valorização de peças artesanais e únicas em ambientes que buscam fugir da padronização. Durante anos, muitos projetos seguiram uma lógica baseada em móveis semelhantes, paletas previsíveis e referências reproduzidas nas redes sociais. Em 2026, esse modelo começa a dar espaço a uma decoração mais pessoal, na qual objetos artesanais, antiguidades, materiais naturais e peças que preservam marcas do processo de produção ajudam a criar ambientes com identidade.

Leia mais a seguir!

O que mudou na relação com os ambientes?

A popularização das redes sociais tornou muito mais fácil encontrar referências de decoração. Ao mesmo tempo, essa facilidade produziu um efeito curioso: diferentes casas começaram a apresentar combinações semelhantes de móveis, cores e objetos. O resultado é uma estética cada vez mais reconhecível, mas nem sempre individual. Com tantas referências circulando diariamente, seguir uma mesma composição pode ser prático, mas também fazer com que ambientes diferentes percam características próprias.

Segundo Daugliesi Giacomasi Souza, esse movimento ajuda a explicar a chamada tendência “anti-algoritmo”, identificada por profissionais do setor em 2026. A proposta consiste justamente em escapar da repetição de referências digitais e incorporar elementos mais pessoais, como objetos encontrados em viagens, peças herdadas e itens escolhidos ao longo do tempo. A intenção não é ignorar as tendências, mas selecionar aquilo que realmente combina com a história e a rotina dos moradores. O resultado tende a ser um espaço menos previsível e mais conectado à experiência de quem o ocupa.

Nesse cenário, uma peça artesanal pode cumprir uma função que vai além de preencher determinado espaço. Ela pode introduzir uma história, uma técnica ou uma referência cultural que não seria reproduzida exatamente da mesma maneira em outro ambiente. Por ter características próprias, esse tipo de objeto também pode criar pontos de interesse na composição e quebrar a sensação de uniformidade. Assim, o artesanal passa a participar da construção da identidade do ambiente, e não apenas de sua aparência.

Por que o feito à mão ganhou tanto espaço?

Uma das características mais valorizadas nas peças artesanais é justamente aquilo que a produção industrial costuma tentar eliminar: a pequena diferença entre uma unidade e outra. Texturas, marcas do trabalho manual, variações de acabamento e características próprias da matéria-prima fazem com que cada objeto tenha uma aparência particular. Essas diferenças ajudam a criar uma composição menos uniforme, especialmente em projetos que combinam móveis contemporâneos com elementos de outras épocas. A peça deixa de ser apenas um item funcional e passa a contribuir também para a identidade visual do ambiente.

Daugliesi Giacomasi Souza
Daugliesi Giacomasi Souza

Tendências de mobiliário para 2026 apontam a valorização de móveis feitos à mão como contraponto à produção em massa. No Brasil, especialistas também relacionam esse movimento à recuperação de saberes tradicionais e à possibilidade de aproximar técnicas artesanais das linguagens contemporâneas do design. Daugliesi Giacomasi Souza destaca que essa aproximação permite que técnicas conhecidas há gerações sejam incorporadas a projetos atuais sem perder suas características originais. Com isso, o artesanato encontra novas possibilidades de uso e passa a dialogar com diferentes estilos de interiores.

Uma peça diferente pode mudar todo o ambiente?

Pode, especialmente quando ela funciona como ponto de contraste. Um móvel artesanal pode quebrar a uniformidade de uma composição, enquanto uma obra de arte, uma cerâmica ou um objeto antigo pode introduzir textura e memória em uma decoração contemporânea. Quando esses elementos são bem posicionados, também ajudam a criar diferentes pontos de atenção no ambiente, evitando que todos os móveis e objetos tenham o mesmo peso visual. A singularidade da peça passa, então, a fazer parte da composição como um elemento de destaque.

Essa lógica também está relacionada à mudança de preferência por ambientes com aparência mais vivida. Em vez de espaços que parecem ter sido montados de uma só vez, cresce o interesse por interiores compostos gradualmente, reunindo peças de diferentes épocas e origens. A mistura de objetos novos, vintage e artesanais aparece entre as tendências associadas à busca por maior personalidade. Conforme Daugliesi Giacomasi Souza, essa combinação permite que a decoração conte diferentes histórias, seja por meio de uma peça herdada, de um objeto adquirido durante uma viagem ou de um trabalho produzido por um artesão. 

Isso não significa colocar objetos aleatoriamente. A escolha continua exigindo critério. Uma peça singular pode ter muito mais impacto quando existe espaço visual para que seus materiais, formas ou detalhes sejam percebidos. Também é importante considerar proporção, circulação, iluminação e relação com os demais elementos do cômodo. Dessa maneira, o objeto artesanal não aparece como um elemento isolado, mas como parte de uma composição pensada para valorizar suas características.

Para acompanhar outras referências sobre decoração, interiores e construção, o trabalho da DGdecor pode ser acompanhado pelo Instagram @dgdecor.construir.

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