Porto Alegre instala comportas contra cheias em galerias que ligam o arroio Areia ao rio Gravataí

Redação Tribuna De Porto Alegre
Redação Tribuna De Porto Alegre

O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) concluiu, em 27 de setembro de 2026, a instalação de comportas em três galerias que conectam o arroio Areia ao rio Gravataí. As estruturas ficam no bairro Anchieta, na Zona Norte de Porto Alegre, e fazem parte das obras emergenciais de proteção contra cheias nos pôlderes 7 e 8.

De acordo com a Prefeitura de Porto Alegre, a intervenção busca impedir que a elevação do nível do rio avance pela rede de drenagem e alcance áreas urbanas. A instalação das comportas complementa uma etapa anterior, realizada em agosto, nas galerias ligadas ao arroio Passo das Pedras.

Como funcionam as comportas contra cheias

Em condições normais, as galerias permanecem abertas para permitir o escoamento da água da chuva. Quando o nível do rio Gravataí sobe e há risco de retorno da água, as comportas podem ser fechadas. O bloqueio interrompe a passagem no sentido do rio para a rede de drenagem, reduzindo a possibilidade de que a cheia alcance os bairros por esse caminho.

Com as galerias fechadas, a água acumulada no lado interno do sistema precisa ser retirada por equipamentos de bombeamento. Para essa operação, o Município prevê o uso de bombas flutuantes, responsáveis por transferir a água de volta para o rio Gravataí. O funcionamento combina, portanto, o fechamento das conexões com a retirada controlada da água da chuva.

A medida é direcionada aos momentos de risco, e não representa o fechamento permanente das galerias. Essa distinção é importante porque o sistema precisa continuar permitindo o escoamento da drenagem urbana durante a rotina. A operação das comportas ocorre de acordo com a necessidade de proteção contra a elevação do rio.

Intervenção alcança os principais pontos dos pôlderes 7 e 8

Antes da conclusão no arroio Areia, quatro galerias relacionadas ao arroio Passo das Pedras haviam recebido estruturas semelhantes. Segundo a Prefeitura, com as duas etapas concluídas, os principais pontos de conexão dos pôlderes 7 e 8 com o rio Gravataí passaram a contar com proteção contra o retorno das águas.

Os pôlderes são áreas protegidas por estruturas de contenção e sistemas de drenagem. Na Zona Norte de Porto Alegre, a proteção dessas conexões é estratégica porque as galerias ligam os cursos d’água ao sistema urbano. Quando o rio sobe, os pontos de ligação podem se tornar caminhos para a entrada da água, caso não estejam preparados para bloquear o fluxo reverso.

A obra emergencial teve investimento informado de R$ 47 milhões. O valor inclui serviços de engenharia, a instalação de eletrocentros, geradores e equipamentos de bombeamento. Esses componentes são necessários para que as comportas possam operar e para que a drenagem continue funcionando mesmo durante períodos em que as conexões com o rio precisem ser bloqueadas.

Município planeja obra definitiva para a Zona Norte

A instalação das comportas é apresentada como uma etapa emergencial da reconstrução do sistema de proteção contra cheias. Em paralelo, o Município trabalha na elaboração do anteprojeto de uma intervenção definitiva para os pôlderes 7 e 8, com estimativa de investimento de R$ 300 milhões.

Conforme informado pelo Gabinete do Prefeito de Porto Alegre, o projeto prevê duas novas Estações de Bombeamento de Águas Pluviais, além do alargamento dos canais dos arroios Areia e Passo das Pedras. A proposta também inclui a reconstrução de diques na região.

A previsão divulgada pelo Município é de que a concorrência pública para a escolha da empresa responsável pela execução seja aberta no primeiro trimestre de 2027. Até essa fase, as comportas, os geradores e as bombas integram a estrutura emergencial destinada a reforçar a segurança das áreas protegidas pelos pôlderes.

Com a conclusão das instalações no arroio Areia, Porto Alegre amplia a proteção nos pontos de drenagem que se conectam ao rio Gravataí. A medida não substitui a obra definitiva planejada, mas cria uma barreira operacional para situações de cheia enquanto avançam os projetos de longo prazo para a Zona Norte.

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