O saneamento de Roraima esconde uma perda de quase 60%

Emilio Marvento
Emilio Marvento
Guilherme Campos

Guilherme Campos, desenvolvedor imobiliário, aponta que Roraima costuma aparecer bem posicionado em rankings de saneamento básico, com cobertura de água tratada perto da universalização e Boa Vista liderando indicadores de tratamento de esgoto na região Norte. À primeira vista, parece um problema resolvido, do tipo que já não merece mais atenção especial.

É possível perceber, então, que esses números escondem um detalhe que pesa diretamente no custo de operar e expandir redes de água no estado: uma parte enorme da água tratada nunca chega à torneira de quem deveria recebê-la, mesmo depois de todo o investimento feito para tratá-la.

A ideia de que Roraima já resolveu o saneamento básico

Os indicadores de cobertura são, de fato, bons: a grande maioria dos domicílios do estado tem acesso à rede de água, e a capital conquistou avaliação máxima em tratamento de esgoto em levantamentos recentes do setor, superando outras capitais da região Norte nesse quesito específico. Esses números costumam ser usados como prova de que o saneamento já não é mais um problema por resolver na região.

Contudo, como frisa Guilherme Campos, cobertura de rede e eficiência na entrega são duas coisas diferentes, e confundir uma com a outra esconde um problema estrutural que segue sem solução, mesmo com os bons indicadores de acesso divulgados a cada novo ranking do setor.

O número que muda essa leitura: a perda de água na distribuição

Levantamentos do setor mostram que Roraima perde mais da metade de toda a água tratada que produz, um índice entre os mais altos do país. Essa perda acontece por vazamentos na rede, ligações irregulares e falhas de medição, não por falta de estrutura de tratamento na origem do sistema.

Guilherme Campos
Guilherme Campos

Guilherme Campos aponta que esse número muda completamente a leitura sobre o real estado do saneamento no estado: não adianta tratar bem a água se metade dela se perder antes de chegar a quem paga a conta no fim do mês, independentemente da qualidade do tratamento na estação.

Por que essa perda pesa mais em cidades que ainda estão crescendo?

Cada litro perdido representa energia, produtos químicos e mão de obra gastos à toa, custo que, de um jeito ou de outro, acaba repassado à tarifa cobrada de quem está do outro lado da torneira, mesmo sem nunca ter recebido aquele litro específico nem se beneficiado dele de nenhuma forma.

Guilherme Campos aponta que, em cidades que seguem recebendo bairros novos todos os anos, essa ineficiência limita a capacidade de expandir a rede para áreas recém-ocupadas, porque parte da água que poderia abastecer novos moradores simplesmente escoa pelo caminho antes de chegar a qualquer lugar, sem que ninguém perceba de imediato onde exatamente ela se perdeu.

O que isso significa para quem planeja novos bairros e loteamentos?

Para quem desenvolve loteamentos e condomínios, entender essa realidade muda a conversa com a concessionária de saneamento desde o início do projeto, porque a disponibilidade de água numa área nova depende tanto da rede existente quanto da eficiência com que ela opera no dia a dia. Um bairro pode ter tubulação instalada e, ainda assim, sofrer com pressão baixa se a perda na rede que o abastece for alta.

Em síntese, Guilherme Campos constata que reduzir essa perda deveria ser prioridade tão grande quanto ampliar a cobertura, porque cada ponto percentual recuperado equivale, na prática, a água nova disponível sem precisar captar ou tratar um litro a mais, o que custaria muito mais caro do que consertar a rede existente. Quem quiser acompanhar mais sobre desenvolvimento urbano em Roraima pode seguir o perfil @guicamposvlg no Instagram.

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