A pedido do Ministério Público (MP) do Rio Grande do Sul, foi preso nesta semana o policial da Brigada Militar (BM) que na madrugada de 13 de junho matou a tiros quatro homens em uma pizzaria na Zona Norte de Porto Alegre. Ele é alvo de denúncia da Promotoria pelos quatro homicídios, duplamente qualificados.

O brigadiano estava à paisana e de folga quando entrou sem autorização em uma casa onde suas futuras vítimas participavam de uma festa. Supostamente à procura de uma ex-namorada, ele ainda teria agredido uma jovem e ofendido os convidados.

Assim que saiu do local, um grupo de pessoas que estava na confraternização saíram em seu encalço, a fim de obter explicações para a atitude, até porque sequer o conheciam. Acuado, o policial se refugiou em um banheiro nos fundos de uma pizzaria na avenida Manoel Elias, perto da Protásio Alves, bairro Mario Quintana, mas acabou alcançado.

Os quatro homens tentaram retirá-lo à força do local, mas acabaram sendo baleados na cabeça, um a um, tendo morte instantânea, em um incidente testemunhado por duas mulheres e que foi parcialmente gravado com uma câmera de segurança do estabelecimento.

“Foram disparos certeiros, demostrando perícia no manuseio de arma-de-fogo em razão de sua profissão”, frisou o MP-RS. “A brutalidade do evento causou comoção na sociedade, provocando justificada indignação. Não há como deixar o autor de tais fatos em liberdade, transitando, armado, pelas ruas, ostentando a farda da BM.”

“Descrédito à Justiça”

Alegando legítima defesa, o autor dos disparos se apresentou à Polícia Civil horas após o incidente. Ele prestou depoimento e foi liberado.

Para os promotores, no entanto, a manutenção do denunciado em liberdade causa “inquestionável descrédito à Justiça, pois o fato trouxe abalo e comoção social ao mesmo tempo em que o denunciado permanece no exercício da função pública, contrassenso que não pode perdurar”, fundamentou a juíza que atua no caso.

Na avaliação dos promotores André Martínez e Luiz Eduardo Azevedo, a prisão cautelar é necessária para garantir a ordem pública e por conveniência da instrução criminal.

(Marcello Campos)