Assembleia Legislativa cobra transparência sobre uso dos recursos do Firece no RS

Diego Rodríguez Velázquez
Diego Rodríguez Velázquez
Assembleia Legislativa cobra transparência sobre uso dos recursos do Firece no RS

Comissão de Serviços Públicos ouviu secretário da Reconstrução Gaúcha em audiência que discutiu obras de proteção contra enchentes ainda não executadas.

A Comissão de Serviços Públicos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul realizou, no início de julho, uma audiência pública para debater o andamento das obras de proteção contra cheias custeadas com recursos do Firece, o Fundo de Investimento para Recuperação e Construção de Infraestrutura Climática Emergencial. Criado pelo governo federal em dezembro de 2024, com aporte inicial de R$ 6,5 bilhões, o fundo foi pensado para acelerar intervenções estruturais em municípios atingidos pelas enchentes de 2024, entre eles a própria capital gaúcha. O encontro teve a participação do secretário estadual da Reconstrução Gaúcha, que prestou esclarecimentos aos deputados sobre o estágio dos projetos.

Um dos pontos centrais da audiência foi o descompasso entre a disponibilidade financeira do fundo e a execução efetiva das obras. Segundo levantamentos apresentados por parlamentares, dos oito projetos de intervenção previstos na Região Metropolitana, apenas o de Eldorado do Sul teve licitação concluída para atualização do anteprojeto técnico. No caso do Arroio Feijó, área que liga Porto Alegre a Alvorada, o edital chegou a ser lançado, mas o resultado da licitação ainda não havia sido divulgado até a data da reunião.

Os entraves apontados pelos deputados

Parlamentares que acompanham o tema afirmam que a liberação dos recursos do Firece depende da atualização de projetos técnicos exigidos pelas normas do fundo, etapa que tem se arrastado além do esperado. Essa exigência documental é apontada como o principal gargalo, já que sem os projetos aprovados não é possível avançar para as fases seguintes de licitação e execução das obras. A cobrança por celeridade parte de diferentes bancadas, que argumentam que a proteção contra novas cheias depende diretamente da conclusão dessas etapas preparatórias.

Além do secretário estadual, a comissão também articulou a participação de representantes da Caixa Econômica Federal no Rio Grande do Sul, instituição responsável por parte da operacionalização financeira do fundo, e de prefeituras e câmaras de vereadores dos municípios atingidos. A ideia é ampliar a fiscalização sobre o uso do dinheiro público destinado à reconstrução, incluindo etapas que vão da elaboração de projetos até a fiscalização de obras já em andamento.

O que está em jogo para a população

Para os moradores de áreas historicamente afetadas por enchentes na Região Metropolitana, o ritmo de execução das obras tem impacto direto na sensação de segurança diante de novos eventos climáticos extremos. O Rio Grande do Sul já enfrentou, desde 2024, sucessivas chuvas fortes que testaram a capacidade de resposta dos sistemas de proteção existentes, o que aumenta a pressão popular por obras que efetivamente reduzam o risco de novas inundações.

A expectativa dos parlamentares que promoveram a audiência é que a pressão pública e o acompanhamento constante da Assembleia acelerem os trâmites burocráticos que hoje represam os recursos do Firece. O debate deve continuar nas próximas sessões da Comissão de Serviços Públicos, com novas cobranças de prazos e cronogramas junto ao governo estadual e aos órgãos federais envolvidos no repasse do dinheiro.

O episódio expõe um desafio recorrente na reconstrução gaúcha: garantir que recursos federais aprovados sejam efetivamente convertidos em obras no menor tempo possível. Enquanto os entraves técnicos não são resolvidos, o valor disponibilizado pela União permanece sem aplicação prática, o que mantém áreas vulneráveis sem a proteção estrutural planejada. A Assembleia sinalizou que deve manter o tema em pauta até que haja avanço concreto nos oito projetos de intervenção previstos para a região.

Fontes consultadas:
https://ptassembleiars.org.br/2025/12/18/recursos-parados-rossetto-critica-lentidao-do-governo-leite-em-obras-contra-as-cheias/
https://seguinte.inf.br/rossetto-articula-audiencia-publica-sobre-obras-de-protecao-contra-cheias-e-critica-demora-do-governo-estadual/

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