Posto da Petrobras

SÃO PAULO – A Vibra Energia, ex-BR Distribuidora, (BRDT3) realizou na última quarta-feira (1) o seu dia do investidor, apresentando maiores detalhes sobre a sua trajetória, projetos concluídos desde a abertura de capital, em 2017, e também, comentou sobre os projetos futuros de expansão do negócio.

A principal mensagem da apresentação, segundo o Itaú BBA, foi a de que a empresa se manterá na distribuição, com uma transição energética “asset-light“, com foco na eficiência logística para geração de ganhos de escala.

Por outro lado, escreve o banco, a Vibra deixou claro que não entrará na produção de combustíveis fósseis e biocombustíveis tradicionais, tampouco na geração e distribuição em escala de energia elétrica. A empresa também deixará de fora do seu escopo a infraestrutura para transporte e distribuição de gás natural.

Para o longo prazo, a companhia tem focado seus esforços ainda nos segmentos de varejo e lojas de conveniência, aviação, além de parcerias, destacam os analistas.

O Itaú BBA tem recomendação de outperform (acima da média do mercado) para os papéis da companhia e preço-alvo de R$ 34.

Nesta quinta-feira (2), as ações BRDT3 apresentavam queda de 3,1% na Bolsa brasileira, por volta das 14h35 (horário de Brasília), negociadas a R$ 25,93.

O Bradesco BBI também diz ter gostado da mensagem da companhia: “A transição de energia está em um ponto sem volta e gostamos do senso de urgência da empresa sobre o assunto.”

Em relatório, o banco destaca que a Vibra deixou claro que sua plataforma de energia quer focar na distribuição de biometano, na autogeração em sua cadeia de distribuição, bem como em soluções de recarga de veículos. Programas de relacionamento, lojas de conveniência e uma transição mais gradual em direção ao hidrogênio verde e aos combustíveis eletrônicos também estão na lista.

“A análise do cenário para 2030 mostra a importância da transição imediata da Vibra, a fim de evitar a estagnação do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) nos próximos dez anos”, escrevem os analistas.

Outro ponto importante, segundo o Bradesco BBI, recai sobre o fato de que, mesmo em um cenário de transição rápida, a administração espera que seu Fluxo de Caixa Operacional (FCO) aumente em 180% até 2030. “Isso mostra que as escolhas da administração sobre a transição são leves em ativos, e não necessariamente implicam em dividendos mais baixos”.

O Bradesco BBI tem recomendação outperform para as ações da companhia e preço-alvo de R$ 36.

Transição energética

O ponto principal apresentado pela Vibra, segundo analistas, recai sobre a proposta de transição energética da companhia.

Em relatório, o Credit Suisse lembra que a empresa anunciou recentemente uma joint venture no segmento de etanol com a Copersucar e um fundo de investimento para investir no mercado imobiliário.

Segundo os analistas, a BRDT tem mostrado uma agilidade “interessante” em capturar as oportunidades ao mesmo tempo em que toca o turnaround de “forma bastante eficiente”.

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Olhando pra frente, o time do Credit Suisse diz que a Vibra deve buscar um caminho de extrair valor tanto das frentes principais (etanol, derivados, eletricidade) quanto em gás natural, biometano, distribuição de energia e recarga de carros elétricos. O caminho para hidrogênio e biocombustíveis também está nos planos da empresa.

“Gostamos bastante do racional estratégico de um business que deve ser asset-light e escalável. Também deve apresentar uma resiliência interessante com relação às flutuações dos preços de commodity e permitir a escolha de qual matriz energética irá se apoiar”, escrevem os analistas.

O Credit Suisse avalia que a distribuição tradicional ainda deve crescer por muitos anos e que, além de diluir a importância da transição energética, garante um fluxo de caixa robusto para o investimento do “novo business” e para remunerar os acionistas.

Ainda que a empresa não tenha divulgado um guidance, o Credit Suisse espera que o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia cresça entre 20% e 30% no período de 2021 a 2030, sem incluir corte de custo.

O Credit Suisse tem recomendação outperform para os papéis da companhia e preço-alvo de R$ 39.

Novas avenidas de crescimento

A casa de análise Levante afirma que a Vibra deixou clara as avenidas que irá pavimentar daqui em diante e, inclusive, deixou bem definido os segmentos que não irá atuar: majoritariamente atividades que envolvem um capital intensivo como refino, geração de energia elétrica e infraestrutura de transporte.

“A companhia vem realizando movimentações desde o ano passado em direção a uma atuação na comercialização, distribuição completa no segmento de energia de maneira mais ampla, englobando novos combustíveis e fontes de energia (etanol, biogás, GNL por exemplo)”, destaca o time.

Agora, escrevem os analistas, a companhia se prepara para expandir seus braços de atuação entrando em novos mercados focados no segmento de energia mais limpa.

Já o Morgan Stanley avalia que a Vibra está posicionada “de forma única” no setor de distribuição de combustíveis no Brasil, em relação a seus pares, alavancando seu tamanho e turnaround para se beneficiar de temas emergentes no mundo da transição energética.

“Desde seu IPO, a Vibra tem evoluído constantemente e melhorado as margens. Com a recuperação das operações existentes agora perto da conclusão, o novo CEO se concentrará no próximo estágio da (r) evolução da empresa, abordando o posicionamento estratégico e a transição energética”, escrevem os analistas.

Para o banco americano, as iniciativas que vêm sendo implementadas na Vibra desde 2017 estão dando frutos, e a empresa parece bem posicionada para surfar a recuperação do consumo de combustível no Brasil com uma margem elevada.

O Morgan Stanley também diz acreditar que as ações da companhia continuarão a fornecer uma proposta de remuneração aos acionistas “atraente”. O banco tem recomendação overweight (acima da média do mercado) para as ações BRDT3 e preço-alvo de R$ 36.

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