O Itaú BBA rebaixou a recomendação para as ações da Mosaico (MOSI3), dona dos sites Zoom e Buscapé. Os analistas do banco avaliam que os resultados trimestrais da companhia, apresentados neste mês, foram uma surpresa negativa, que indica uma fraqueza não apenas transitória, mas também uma deterioração preocupante sobre a perspectiva de crescimento do negócio central da empresa.

Os analistas avaliaram o desempenho recente da Mosaico com base em uma análise detalhada do tráfego de seu site, uso de aplicativos e encaminhamentos para lojas on-line.

O banco avalia que a desaceleração recente da empresa não afeta apenas suas previsões para o crescimento de curto prazo, mas indica tendências desafiadoras de longo prazo para o negócio de comparação de preços.

Assim, rebaixou a recomendação para MOSI3 de outperform (desempenho acima da média do mercado) para marketperform (desempenho em linha com a média do mercado) e reduziu o preço-alvo em 67%, dos R$ 39 referentes a 2021 para R$ 13 em 2022, representando uma alta de apenas 2,4% frente à cotação de terça de R$ 12,70.

O tráfego do site e o uso de aplicativos móveis apontam para a intensificação da competição no ambiente de referência, avaliam os analistas, ressaltando que os resultados recentemente divulgados pela Mosaico mostram uma tendência contínua de queda trimestre a trimestre. Sua participação no mercado de vendas online no Brasil teve baixa de 4,2% no primeiro trimestre de 2020 para 2,3% no segundo trimestre de 2021, caindo quase pela metade em pouco mais de um ano.

“Investigamos esse baixo desempenho executando uma análise estruturada do tráfego do site e do aplicativo móvel
de uso para plataformas de referência coletados por Similarweb. Nossa conclusão foi de que as ferramentas de comparação de preços estão perdendo terreno para cashback, cupons e plataformas de comércio social”, avaliam.

Segundo os analistas, embora existam vários motivos potenciais para esta tendência, eles enfatizam o progresso dos canais onlines em categorias menos ‘commoditizadas’ e de baixo custo (como roupas e beleza), bem como recusa de reengajamento por meio de ferramentas como personalização de ofertas (porque uma parte significativa dos visitantes de comparação de preços não está logada e, portanto, não pode ser identificada).

Eles também analisaram as tendências por uma perspectiva das lojas online, observando como os leads vindos da Mosaico se comportaram nos últimos 12 meses. “O que nós vimos é que a empresa está trazendo a mesma porcentagem de visitantes aos sites das lojas online, mas esses visitantes estão gerando GMV [vendas brutas de mercadorias] mais baixo, o que pode indicar taxas de conversão mais baixas.

Essa tendência poderia ser explicada pelo número crescente de opções que o consumidor tem na busca pelo menor preço possível, antes de fechar suas compras. Nesse cenário, um consumidor online pode acessar o Zoom ou Buscapé para ver qual loja online está oferecendo o produto desejado pelo menor preço, e então pode ir para uma plataforma de cashback ou cupom para aproveitar um desconto adicional nesta loja.

Assim, os analistas avaliam que a correção da ação é atribuível não apenas a estimativas mais baixas, mas também a uma redução considerável da avaliação sobre as perspectivas da empresa.

“Em nossas estimativas, agora estamos trabalhando com projeções muito mais conservadoras do GMV – cerca de 40% mais baixas nos próximos anos. Enquanto isso, o de-rating – que nós estimamos ser responsável pelos 12% restantes da correção da ação – pode ser atribuído, pensamos, a dois principais fatores: i) a deterioração mais rápida do que o esperado nas perspectivas para o negócio principal da Mosaico, com concorrentes ganhando terreno nos últimos trimestres; e ii) a decepção do mercado com a resposta demorada da empresa a este novo ambiente competitivo, com a sua iniciativa de cashback ainda não totalmente implementada”, avaliam. Os papéis caíram 52% desde que o BBA iniciou a cobertura para o ativo.

Em seu modesto lançamento em maio, ressaltam os analistas, o recurso cashback foi habilitado apenas para uma parte limitada dos parceiros da Mosaico.

“Em nossa opinião, a probabilidade de um ponto de inflexão na tendência de baixa atual da Mosaico depende fortemente do resultado de sua iniciativa de cashback. Porque [avaliam que] mais etapas permanecem antes que este recurso possa ser considerado totalmente implementado, prevemos um cenário ainda desafiador no curto prazo, que deve inibir a empolgação do investidor e que justifica nossa abordagem mais cautelosa para a história de investimento. Esperamos que os próximos meses sejam decisivos para o case, com os resultados iniciais da iniciativa de cashback, e nós estaremos prontos para ajustar rapidamente nossas previsões e postura no caso de números convincentes serem relatados”, destacam.

Geradoras também são revisadas pelo banco

Ainda em destaque, os analistas do Itaú BBA também renovaram as estimativas para as empresas de geração de sua cobertura, atualizando os preços-alvo de 2021 para 2022 e rebaixando as ações da Cesp (CESP6) para marketperform (desempenho em linha com a média do mercado), mantendo a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para Engie (EGIE3)  e Omega (OMGE3).

Os analistas destacam que as ações de geradoras apresentaram desempenho inferior ao Ibovespa e ao índice do setor, IEE, devido a: i) aumento das taxas de juros; ii) agravamento da crise hidrológica, impactando o GSF [medida de risco hidrológico] e os preços spot de energia; e iii) aumento do apetite por risco dos investidores após a reabertura da economia e revisões em alta dos números do PIB.

“No entanto, acreditamos que essa tendência pode começar a mudar, à medida que a perspectiva macro tem se deteriorado e agora esperamos que os investidores comprem nomes defensivos de alta qualidade que estão sendo negociados a um valuation muito atrativo”, apontam.

As mudança das principais premissas para as avaliações das geradoras, devido ao agravamento da crise hidrológica e perspectiva macro são as seguintes: i) maior custo de capital próprio (aumento de 1 ponto percentual); ii) pior déficit de GSF (20% para 2022 e 10% para 2023 em diante versus premissa anterior de 5% para ambos os casos); e iii) premissas de preço de energia de longo prazo mais baixas (R$ 150 / MWh para energia convencional versus premissa anterior de R$ 160 / MWh). Além disso, os analistas atualizaram as premissas macro para incorporar uma inflação mais alta e uma maior
Taxa Selic.

Com essas novas premissas, os analistas cortaram a recomendação de outperform para marketperform as ações da Cesp e reduzindo o preço-alvo (ex-dividendos), reduzindo o preço-alvo de R$ 38 para 2021 para R$ 24,50 para 2022. Embora destaquem que a Cesp esteja negociando a uma valorização implícita atrativa (com Taxa Interna de Retorno [TIR]] de 8,9%), não veem razão para comprar as ações no curto prazo, dados: i) a crise hídrica e as perspectivas desafiadoras para o GSF; i) pouca visibilidade sobre o pagamento da Indenização Três Irmãos; iii) potencial aumento do déficit dos fundos de pensão; iv) baixa visibilidade de sua estratégia de crescimento e v) aumento das taxas de juros.

Já a Engie foi mantida a outperform, mas o preço-alvo foi reduzido de R$ 49 para R$ 43,80. “Nós vemos a Engie como um
empresa de alta qualidade, com excelente histórico de alocação de capital e valuation atrativo (negociada a uma TIR implícita de 8,7%)”, apontam os analistas.

Além disso, apesar das perspectivas hidrelétricas desafiadoras, a Engie é uma das poucas empresas com um equilíbrio de energia relativamente confortável para compensar o impacto do GSF. Por fim, os analistas esperam que a Engie conclua a venda das usinas a carvão Jorge Lacerda e Pampa Sul até o final de ano, encerrando sua exposição ao carvão em linha com seu foco em ESG.

A Omega também foi mantida com recomendação outperform, mas com corte no preço-alvo de R$ 44 para 2021 para R$ 37,80 em 2022.

“Em nossa opinião, a Omega é uma das poucas empresas a se beneficiar dessa perspectiva hidrelétrica desafiadora, dada sua exposição a ativos eólicos e solares. Nós esperamos tendência de ganhos positivos daqui para frente, já que a segunda metade do ano será muito melhor dada a ‘sazonalidade dos ventos’. Além disso, gostamos de seu o histórico de alocação de capital e as últimas aquisições agregaram valor”, avaliam.

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