Hands holding Brazilian real notes - Money from Brazil - Notes of Real - Brazil BRL banknote

SÃO PAULO – Em meio ao avanço acima do esperado pelo mercado da inflação em agosto, além de paralisações de caminhoneiros independentes ao redor do país e desdobramentos da crise política-institucional, o mercado de títulos públicos continua a registrar alta nas taxas na manhã desta quinta-feira (9). Os três títulos prefixados disponíveis para negociação batem marcas históricas de retorno.

O juro pago pelo título com vencimento em 2031, por exemplo, subia de 11,05%, na sessão anterior para 11,16%, na abertura dos negócios. Esse prêmio foi o maior já pago por esse título, que começou a ser negociado em fevereiro de 2020.

No mesmo horário, o prêmio do título prefixado com vencimento em 2026 era de 10,54%, contra 10,38% um dia antes. No papel com vencimento em 2024, a remuneração avançou de 9,95% para 10,15% de ontem para hoje. Nos dois casos, as taxas são as maiores já pagas pelos papéis – o que vence em 2026 iniciou as negociações em fevereiro do ano passado e o de 2024, em fevereiro deste ano.

Entre os papéis atrelados à inflação, o juro real oferecido pelo Tesouro IPCA+ com vencimento em 2055 e pagamento de juros semestrais era de 4,99%, contra 4,90% na sessão anterior. Com isso, esse título volta a se aproximar do patamar visto no começo da crise do coronavírus no Brasil em março de 2020, quando o papel oferecia um retorno de 5,17%.

Da mesma forma, o juro real do papel com vencimento em 2035 e 2045 avançava de 4,81% para 4,88% na primeira atualização do dia.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na manhã desta quinta-feira (09): 

Taxa Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

IPCA

A quinta-feira começou com agenda econômica agitada com a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação ficou em 0,87% no mês passado. Esse foi o maior valor para o mês desde 2000. O avanço foi puxado especialmente pela subida dos combustíveis.

A gasolina avançou 2,80% e teve o maior impacto individual (0,17 p.p.). Etanol (4,50%), gás veicular (2,06%) e óleo diesel (1,79%) também ficaram mais caros no mês.

Com isso, o indicador acumula alta de 5,67% no ano e de 9,68% nos últimos 12 meses, acima do registrado nos 12 meses imediatamente anteriores (8,99%). Em agosto do ano passado, a variação mensal foi de 0,24%.

Apesar da desaceleração frente julho, o número ficou acima do esperado. A expectativa, de acordo com o consenso Refinitiv, era de alta de 0,71% frente julho de 2021 e de 9,50% na comparação com agosto de 2020.

Durante evento na véspera, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, afirmou que o núcleo da inflação está muito mais alto do que a autoridade monetária gostaria e voltou a mencionar a diferença entre as expectativas de mercado e do BC para a inflação.

De acordo com o último Boletim Focus do Banco Central divulgado nesta semana, a projeção para a inflação oficial até o fim deste ano passou de 7,27% para 7,58%, 22ª semana seguida de alta.

Campos Neto também disse que o BC começou a ver as expectativas do mercado para inflação em 2022 subindo também, e está focando maior parte da sua atenção nessa frente.

Crise político-institucional e caminhoneiros

Na frente política, a atenção dos investidores está nos desdobramentos da crise político-institucional entre os Três Poderes. Diante da piora das tensões, um possível impeachment do presidente Jair Bolsonaro passou a ser discutido por diversos partidos.

Após reunião de sua Executiva e das bancadas na Câmara e Senado, o PSDB anunciou que parte para a oposição ao governo de Jair Bolsonaro e que irá começar discussões internas sobre eventual prática de crime de responsabilidade por parte do Executivo Federal.

Da mesma forma, o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, defendeu o impeachment de Bolsonaro após os discursos do 7 de Setembro.

Na véspera, Hamilton Mourão, vice-presidente, no entanto, minimizou o risco de um impeachment do presidente Jair Bolsonaro, afirmando que não há clima nas ruas e que o governo tem uma maioria confortável na Câmara dos Deputados para barrar processos. “Não é uma maioria para aprovar grandes projetos, mas é uma maioria capaz de impedir que prosperem processos contra o presidente”, disse.

A reação dos partidos está alinhada ao discurso de defesa da democracia e das instituições, especialmente do Supremo. Ontem (8), Luiz Fux, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) disse que “ninguém fechará” a Corte e que o desprezo às decisões judiciais por parte do chefe de qualquer um dos Poderes representaria um “atentado à democracia” e configuraria crime de responsabilidade.

Destaque também para os protestos de caminhoneiros independentes país afora. Hoje pela manhã, a Polícia Rodoviária Federal atuava para liberar o fluxo de veículos.

Ontem à noite (8), o presidente Jair Bolsonaro enviou um áudio para desmobilizar motoristas que bloqueavam estradas em mais de 15 estados do país. O presidente citou que as mobilizações poderiam provocar desabastecimento, inflação e prejudicar a todos, inclusive os mais pobres.

“Então, dá um toque nos caras aí, se for possível, para liberar, tá ok? Para a gente seguir a normalidade. Deixa com a gente em Brasília aqui agora. Não é fácil negociar e conversar por aqui com autoridades, não é fácil. Mas a gente vai fazer a nossa parte aqui e vamos buscar uma solução para isso, tá ok? E aproveita, em meu nome, e dá um abraço em todos os caminhoneiros”, disse Bolsonaro no áudio segundo informações da agência Ansa.

Cena internacional

No cenário externo, o foco está no Banco Central Europeu (BCE). Hoje pela manhã, a autoridade monetária informou que reduzirá ligeiramente as compras de títulos de emergência ao longo do próximo trimestre. O anúncio representa um passo simbólico para desfazer a ajuda econômica de emergência que sustentou o bloco durante a pandemia.

No entanto, o BCE não deu nenhum sinal de seu próximo movimento, incluindo como desfazer o Programa de Compra de Emergência da Pandemia (PEPP) de 1,85 trilhão de euros, que manteve os custos de empréstimos baixos para governos e empresas.

Já na Ásia, as atenções estão voltadas ao aumento da regulamentação sobre empresas de videogames na China. De acordo com a Bloomberg, reguladores chineses convocaram empresas de jogos, incluindo a Tencent e Netease, para discutir uma maior supervisão do setor e a necessidade de reduzir os lucros, o que levou a uma forte venda de ações do segmento.

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