A CPI da Pandemia vai ouvir nesta terça Alexandre Silva Marques, o servidor do TCU investigado por forjar um relatório do tribunal com dados falsos sobre mortes por coronavírus no Brasil.

O material foi usado por Jair Bolsonaro para tentar desacreditar a contagem de mortos pela doença no país, que já chega ao patamar de 600.000 vidas perdidas.

Em depoimento à comissão de sindicância do TCU, Marques disse que enviou ao pai dele o documento informal sobre mortes por Covid-19 e que teria sido o pai o responsável por fazer o papel chegar a Bolsonaro. No Planalto, por sua vez, segundo sugere o servidor, o documento teria sido adulterado para justificar a narrativa do governo.

“No meu arquivo, o que eu preparei, não tinha qualquer menção ao Tribunal de Contas da União. Não tinha cabeçalho, não tinha identidade visual, data, assinatura, não tinha destaques grifados com marca texto, não tinha nada disso. Ou seja, depois que saiu da esfera privada, particular, dei para o meu pai, e ele acabou repassando. Como era um arquivo em Word, ele poderia ser editado por qualquer pessoa”, disse.

Interlocutores da cúpula da CPI esperam um depoimento tranquilo do servidor nesta terça. Já investigado no TCU, Marques deve esquivar-se da responsabilidade pelas informações divulgadas por Bolsonaro. Se vai acusar o presidente, ainda é cedo para dizer. Mas os senadores acreditam que o presidente da República será alvo novamente da comissão agora por forjar documento de um órgão público.