Defesa de Giovani Gaspar da Silva, que solicitou a reprodução simulada dos fatos, sustenta que ação do segurança não causou diretamente o óbito. Polícia Civil irá se manifestar somente em entrevista coletiva nesta sexta (13). Carrefour foi isolado para o trabalho do IGP na reprodução simulada dos fatos
Nathalia King/RBS TV
Na segunda noite de reprodução simulada dos fatos sobre a morte de João Alberto Silveira Freitas, em uma unidade do Carrefour, em Porto Alegre, na véspera do Dia da Consciência Negra de 2020, as ações se concentraram nas versões dos réus.
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Dos seis denunciados pelo homicídio triplamente qualificado, apenas Magno Braz Borges não compareceu. Os outros cinco réus, incluindo Giovani Gaspar da Silva, preso pelo crime e autor do pedido de reconstituição, deram seus testemunhos do que aconteceu naquela noite conforme seus pontos de vista.
“Cremos que, ao final desta reprodução simulada dos fatos, muita coisa que não foi demonstrada durante a investigação vai vir para os autos. Nós acreditamos que existam elementos que possam, de fato, excluir a responsabilização dos nossos assistidos no resultado-morte, mas, em caso de este processo acabar sendo julgado pelo tribunal do júri, o resultado vai trazer uma verdade que até então estava encoberta”, diz o advogado Jader Santos, um dos representantes de Giovani e também de Rafael Rezende.
A Polícia Civil afirmou que irá se manifestar somente na manhã desta sexta-feira (13), em uma entrevista coletiva no auditório do Palácio da Polícia, para esclarecer os trabalhos realizados nas duas noites de reprodução simulada.
A diretora do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegada Vanessa Pitrez, e a titular da 2ª DPHPP e responsável pelo inquérito, delegada Roberta Bertoldo, coordenam as atividades.
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Testemunhos
Os réus se apresentaram ao Palácio da Polícia no começo da noite e prestaram depoimentos por mais de quatro horas. Depois, por volta das 23h, eles se dirigiram à Zona Norte, na unidade do Carrefour em que houve o crime.
Adriana Alves Dutra, funcionária que tenta impedir gravação de imagens no momento das agressões, foi somente à delegacia. Ela não compareceu ao supermercado para a reconstituição.
Todos os demais ingressaram diretamente ao estacionamento dentro de viaturas da Brigada Militar. A área foi isolada para os trabalhos dos peritos do Instituto Geral de Perícias (IGP). Ninguém da polícia deu entrevistas.
Já o perito independente Antonio Nunes, que colabora com a defesa de Giovani, afirmou que não pode dar detalhes dos testemunhos por conta de um termo de sigilo. Porém, aponta que uma das linhas de defesa é demonstrar que substâncias químicas encontradas no organismo de João Alberto podem ter contribuído para a morte dele.
“Quando soma efeitos, pode levar a situações de morte ou de quase morte. Se, diante disso, colocar um esforço físico maior, posso ter as condições ideias para esse tipo de coisa”, afirma.
O advogado Márcio Hartmann, que defende o funcionário do supermercado Kleiton Silva Santos, acredita que o procedimento probatório contribui para a elucidação do caso. “É muito importante para esclarecer a participação de cada um dos réus nos fatos”, diz.
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Seis pessoas denunciadas
A polícia indiciou seis pessoas que, mais tarde, foram denunciadas pelo Ministério Público por participação no homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, asfixia e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
Giovane e Magno, os seguranças que agrediram João Alberto, seguem presos; Adriana está em prisão domiciliar; Paulo Francisco da Silva, funcionário da empresa de segurança Vector, e Kleiton Silva Santos e Rafael Rezende, funcionários do supermercado, respondem em liberdade.
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O Grupo Carrefour Brasil informou que não faz parte desta etapa do processo criminal, mas que “está dando todo o apoio necessário para que as autoridades policiais realizem a reconstituição”. Leia a nota na íntegra abaixo
Reprodução simulada dos fatos sobre a morte de João Alberto, no Carrefour, em Porto Alegre
Nathalia King/RBS TV
Entenda o que é a reprodução simulada dos fatos
De acordo com o Instituto-Geral de Perícias (IGP), a reprodução simulada dos fatos, conhecida como reconstituição, é uma das mais complexas perícias criminais realizadas pelo IGP.
“Ela é realizada pelo perito criminal a pedido da autoridade policial ou judiciária. O objetivo é verificar a viabilidade de os fatos terem ocorrido da forma como foram narrados pelos envolvidos”, explica o órgão.
Neste caso, as ações no pátio do supermercado serão registradas pelo fotógrafo criminalístico do IGP, e o perito pode fazer perguntas às testemunhas para esclarecer cada ato.
“Após, o perito analisa as versões relatadas, verificando quais são factíveis, tendo como base elementos técnicos da análise pericial. No laudo, o perito também responde os quesitos técnicos que podem ter sido formulados pelo solicitante, pela defesa e pela acusação”, observa o IGP.
O prazo para entrega do laudo é indeterminado, pois depende da quantidade e complexidade das versões apresentadas, dos elementos a serem analisados e dos quesitos a serem respondidos.
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Nota do Carrefour
O Grupo Carrefour Brasil está dando todo o apoio necessário para que as autoridades policiais realizem a reconstituição. A empresa não faz parte deste processo criminal, que visa investigar individualmente os envolvidos na ação. O Grupo Carrefour Brasil segue comprometido com a luta antirracista que se materializa no maior investimento privado já feito para redução da desigualdade racial no Brasil. São valores que superam R$ 115 milhões e serão majoritariamente investidos em educação e geração de renda para a população negra.
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