O financial deepening — ou aprofundamento financeiro, que nada mais é que o acesso de mais gente a investimentos mais sofisticados — sustenta as mais diversas teses de investimentos em fintechs e bancos digitais no Brasil. 

O fenômeno é relevante por aqui: entre 2018 e junho deste ano, o número de investidores pessoa física registrados na B3 aumentou de 700 mil para 3,2 milhões de pessoas. 

Estamos de parabéns por levar tanta gente para a Bolsa, mas é preciso reconhecer que as taxas de juros só caíam e apenas 0,35% da população investia em ações.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, uma corretora chamada Robinhood conseguia promover uma espécie de financial deepening em um mercado no qual a penetração das ações e da renda variável sempre foi enorme. 

Resumindo em alguns números e poucas palavras a façanha da companhia: mesmo em um mercado onde 56% da população (184 milhões de pessoas) investe em ações, a corretora conseguiu 21,5 milhões de clientes, ou 13% do total de investidores em ações. Tudo isso de forma exponencial, pois em 2016 a empresa tinha apenas 1 milhão de usuários ativos. 

Mas cadê o “financial deepening” dessa tese? 

O crescimento da Robinhood se baseou em corretagem gratuita, um aplicativo fácil e gamificado e promoções de sorteio de ações. Com isso ela trouxe para o mercado pessoas até então excluídas, seja por incompreensão do mercado, seja pelos custos. O cliente da empresa tem, em média, US$ 5.000 na conta.

O crescimento da empresa é tão alto que ela é medida pelo mercado com a mesma régua das big techs. O valor que os investidores enxergam nela está hoje muito mais no crescimento que no lucro, que hoje existe, mas não é capaz de sustentar o valuation de 94 vezes o preço/lucro (baseado na projeção para 2022), praticamente igual ao de big techs como a Netflix, hoje negociada a 93 vezes.

No episódio 7 do GlobalizAções exploramos a tese de investimentos em Robinhood e mostramos como a empresa trabalha para fazer jus a um valuation igual ao da Netflix. Para ouvir, é só clicar no play.  

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