Preso na manhã desta sexta-feira, 13, pela Polícia Federal, o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson tem planos para as eleições de 2022. Um deles é ser candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro e, assim, retornar ao Congresso como parlamentar 18 anos depois de ter sido cassado no escândalo do mensalão. Aliado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Jefferson tem publicado vídeos com conteúdos de extrema-direita nas redes sociais, alguns deles empunhando armas, para tentar se aproximar do eleitorado bolsonarista.

Outra estratégia de Jefferson é lançar o deputado federal Daniel Silveira, candidato ao Senado, também pelo Rio. Na decisão em que pede a prisão de Jefferson por atacar instituições e a democracia, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, cita trechos do julgamento da Corte que determinou a prisão de Silveira pelos mesmos motivos. Em fevereiro, Jefferson anunciou a filiação do deputado ao seu partido. “O deputado Daniel Silveira, na prisão, acaba de assinar a ficha de filiação ao PTB. Seja bem-vindo heróico deputado. Daremos sangue por você. Nós não abandonamos o soldado ferido”, escreveu Jefferson no Twitter.

Jefferson também avalia ter um candidato do PTB ao governo do Rio contra o atual mandatário Cláudio Castro (PL), que quer a reeleição. Ele articula ainda para que ex-ministros de Bolsonaro, como Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Abraham Weintraub (Educação), se filiem ao partido para disputarem as eleições do ano que vem. 

Além disso, Jefferson tenta até hoje levar Jair Bolsonaro para o PTB. No entanto, o presidente, embora já tenha sido filiado na legenda, resiste. Em encontros recentes com o próprio Bolsonaro e com ministros em Brasília, Jefferson ainda trabalha nos bastidores para que o aliado retorne ao partido. Bolsonaro quis criar o Aliança pelo Brasil, mas a ideia, por enquanto, não foi à frente. Enquanto isso, o presidente mantém negociações com outras siglas, uma delas o Patriota, que filiou o senador Flávio Bolsonaro, seu filho mais velho.

O presidente nacional do PTB foi deputado federal de 1983 a 2005, sempre apoiando os governos em troca de nomeações em comando de ministérios, em cargos de segundo e terceiro escalões e em cargos estratégicos de estatais. Foi condenado e preso pelo STF por corrupção passiva e lavagem de dinheiro ao denunciar o mensalão do PT. Neste período, teve o ex-ministro José Dirceu como alvo principal de seus ataques. Jefferson ficou 14 meses na cadeia de um presídio de Niterói, cidade da Região Metropolitana do Rio.

Em outubro do ano passado, a filha de Jefferson, Cristiane Brasil, também ex-deputada federal, foi presa na Operação Catarata 2. De acordo com a denúncia do Ministério Público estadual, responsável pela ação, ela cometeu os crimes de organização criminosa e corrupção ativa. Para os promotores, Cristiane, que, à época, negou irregularidades, teria recebido propina quando comandou a Secretaria Municipal de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida do Rio e de usar sua influência política mesmo depois de deixar a pasta. Outro membro da família de Jefferson, o ex-genro Marcus Vinícius Vasconcelos, o Neskau, atual deputado estadual no Rio, também foi preso com outros parlamentares na Operação Furna da Onça.