10 de março, 12h21: O índice de transmissibilidade do vírus no Brasil ultrapassou índices alarmantes e já nos transformamos em uma estufa mundial para a proliferação de variantes. No Distrito Federal, onde moro, os níveis de contágio do novo coronavírus, conhecidos como taxa Rt, chegaram a 1,35. Isso significa que, em tese, cada 100 contaminados podem infectar outras 135 pessoas. A situação está tão crítica que autoridades cogitam abrir leitos dentro de quartos de hotéis, nos fazendo relembrar os piores momentos da pandemia vividos por países europeus no ano passado. Por isso, ainda mais agora, cada notícia envolvendo vacinas é um sopro de esperança de que um dia podemos reverter este quadro.

A informação é a de que a vacina Soberana 2, desenvolvida em Cuba, chega enfim à fase 3, período em que um grande universo de voluntários se apresenta para testar em que medida o imunizante é eficaz contra a Covid-19 e se o produto provoca reações que possam levar a dose a ser insegura. Esta fase também é importante porque, se confirmadas a eficácia e segurança do fármaco, o fabricante pode apresentar pedido a órgãos reguladores para comercializar sua vacina.

A ideia da Soberana 2 é usar duas doses, com intervalo de 28 dias entre elas, para conferir proteção ao paciente. Ao contrário do imunizante da Janssen-Cilag, que testo desde o ano passado como voluntária, a vacina cubana é feita conjugada com uma substância usada para a prevenção do tétano, potencializando a resposta imunológica. Uma boa notícia é que esta vacina pode ser armazenada em temperatura ambiente, o que facilita a estocagem e distribuição em países continentais e economicamente tão desiguais como o Brasil.

Por certo há uma dose de otimismo meu com cada vacina que avança uma casa, mas não podemos nos esquecer de todos que não terão a chance de ser imunizados. Ontem perdemos 1.974 vidas nas últimas 24 horas, batendo o recorde dos Estados Unidos em óbitos diários. Quando decidi, em setembro passado, me inscrever como voluntária de uma vacina experimental, não imaginava que estaríamos empilhando corpos em câmaras frigoríficas ou que pacientes morreriam aos montes às portas de um hospital por não terem conseguido um leito para tratamento contra a doença. Acreditava que no segundo semestre deste ano poderíamos olhar para trás e ver que tínhamos sobrevivido à pandemia. Hoje as certezas se foram.

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