O presidente Jair Bolsonaro ou foi dormir enfurecido ou deve ter acordado enfurecido com a entrevista do seu vice, o general Hamilton Mourão, à Folha de S. Paulo, publicada hoje.

A sensatez não é uma virtude que agrade Bolsonaro, salvo se ela o beneficiar. E nada o beneficia a sensatez de Mourão quando diz que caso Lula se eleja em 2022 não haverá ruptura institucional.

“É aquela história: o povo é soberano. Se o povo quiser a volta do Lula, paciência. Acho difícil, viu, acho difícil”, comentou Mourão. Mas não ficou só por aí.

Admitiu que faltou uma campanha dos governos federal e estaduais para conscientizar a população no combate à Covid-19. E que a disputa entre Bolsonaro e João Doria só atrapalhou:

– Essa pandemia foi usada politicamente tanto pelo nosso lado quanto pelas oposições. Esse uso político é péssimo.

Mourão defendeu a atuação do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, general do Exército, mas disse que, de vez em quando, “puxa” sua orelha e o aconselha a fazer mais e a falar menos.

Hoje será dia de azedume no Palácio do Planalto.

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