Desde que foi anunciado o início da vacinação contra a Covid-19 em São Paulo para janeiro, o Instituto Butantan virou centro de romaria de políticos de diversos estados. Nos últimos dias, dezenas de prefeitos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás e Rio de Janeiro visitaram as instalações em São Paulo para tirar fotos com os frascos da vacina e assinar compromissos de compra do produto, que é desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Butantan.

Nesta quinta-feira, dia 10, um dos mais entusiasmados era o prefeito de Niteroi, Rodrigo Neves (PDT), que posou para fotos com o diretor do Instituto, Dimas Covas, e com a documentação que assinou por lá. Conforme o memorando de entendimento, ficava reservado 1,1 milhão de doses da vacina para Niteroi, sendo 300.000 destinadas aos profissionais de saúde e idosos a serem entregues ainda em janeiro. Negociações como esta se multiplicaram depois que o governo de São Paulo passou a cobrar por um posicionamento mais incisivo do ministério da Saúde sobre a aquisição ou não da CoronaVac.

“Se o governo federal fizer a compra pelo programa nacional de vacinação, esses acordos deixam de valer. Neste caso, quem fará a distribuição é o governo federal”, explicou Dimas Covas. “Eu não recebi ainda nenhuma ligação do ministério da Saúde. O que nós desejamos é uma manifestação clara do ministério”, complementou Doria. Na última segunda-feira, dia 8, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, frisou que seriam compradas “todas as vacinas que tiverem eficácia e registro da Anvisa”. O Butantan deve mandar à agência reguladora a documentação que falta para validação da CoronaVac até a próxima terça-feira, dia 15.

Enquanto a aprovação da Anvisa não sai, a gestão paulista segue negociando diretamente com governadores e prefeitos e tocando o plano paralelo de vacinação no estado. Segundo a administração Doria, 913 municípios já “manifestaram interesse” pela vacina, além de doze estados. O preço da vacina pedido é o mesmo que foi apresentado ao ministério da Saúde, em outubro – 10 dólares a dose.

Como representante da chinesa Sinovac na América Latina, o Butantan também começou a negociar doses da vacina com autoridades da Argentina, Uruguai, Peru e Honduras. A VEJA, Dimas Covas, que esteve em Buenos Aires na última semana, afirmou que a conversa com esses países ocorre de “maneira mais prática e objetiva” do que com o governo federal. Segundo ele, a ideia é ter à disposição 100 milhões de doses para o Brasil e 40 milhões para os países da América Latina.

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