Levantamento feito pelo instituto Paraná Pesquisas entre os dias 8 e 10 de março mostra que 59,2% dos brasileiros acreditam que o ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça Sergio Moro foi imparcial ao condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do tríplex do Guarujá, que levou o petista à prisão e o tornou inelegível para a disputa presidencial de 2018. Outros 35,3% afirmaram que ele foi parcial e 5,5% não souberam ou não quiseram opinar.

O processo foi anulado, juntamente com outros três, na segunda-feira, 8, pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, que entendeu que a 13ª Vara Federal de Curitiba, comandada por Moro, não era o foro adequado para a tramitação do caso.

Além disso, Moro está sendo julgado por suspeição nesse processo pela Segunda Turma da Corte. A votação foi suspensa na terça-feira, 9, quando estava empatada em 2 a 2, depois que o ministro Nunes Marques pediu vista do caso. Os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski votaram pela parcialidade do ex-juiz, enquanto Cármen Lúcia e Fachin discordaram.

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O levantamento do Paraná Pesquisas mostra que existe uma diferença significativa de opinião em relação ao papel de Moro de acordo com o grau de instrução dos entrevistados: o maior percentual dos que acham que ele agiu com isenção em relação a Lula (68,6%) foi registrado entre aqueles que têm ensino superior, enquanto a maior taxa dos que pensam o contrário (40,3%) está entre os que têm ensino fundamental.

Entre as regiões do Brasil também há uma diferença significativa. O Nordeste, um reduto eleitoral histórico do ex-presidente, é a região em que mais pessoas acham que Moro foi parcial — 41,8%. Mesmo assim, como no resto país, a maioria, 53,3% dos entrevistados, acredita na imparcialidade do julgamento. Não souberam responder ou não quiseram opinar 4,8% dos entrevistados.

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Em contrapartida, o Sudeste é a região onde mais pessoas acreditam na imparcialidade de Moro: 62,7%. Outros 31,7% acham que a condenação foi parcial e 5,6% não souberam ou não quiseram opinar. Nas outras regiões do país as porcentagens são semelhantes à média nacional. No Norte e Centro-Oeste, 59% acham que o julgamento conduzido pelo ex-juiz da Lava-Jato foi justo, enquanto no Sul esse percentual é de 59,6%.

Elegível

Com a decisão de Fachin na segunda-feira, Lula retomou os seus direitos políticos e passou a ser elegível para 2022, podendo concorrer novamente à Presidência da República. A sua entrada no páreo muda o cenário eleitoral: em cinco situações sondadas pelo Paraná Pesquisas entre 25 de fevereiro e 1º de março, só não há empate pelo segundo lugar naquele no qual o ex-presidente é incluído — ele teria 18% contra 32% de Bolsonaro. Em qualquer cenário sem Lula, há empate na segunda posição envolvendo candidatos como Luciano Huck, Ciro Gomes (PDT), Sergio Moro e Fernando Haddad (quando este aparece no lugar de Lula) — veja todos os cenários aqui.

A anulação dos processos por Fachin ocorreu após um recurso da defesa de Lula. O argumento era o de que os processos não deveriam ter sido julgados na 13ª Vara de Curitiba porque isso contrariava a questão do “juiz natural”, já que os supostos crimes ocorreram em diferentes partes do Brasil. De acordo com esse princípio, a vara deve ter relação com o local do delito investigado.

Fachin considerou, então, sem entrar no mérito das acusações, que a vara de Curitiba não era o juízo competente para processar e julgar o ex-presidente e determinou que todas as decisões fossem anuladas e os processos direcionados à Justiça do Distrito Federal, onde deverão ser reiniciados. A jurisdição da capital paranaense foi comandada até o final de 2018 por Moro, que deixou o posto para se tornar ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, com quem rompeu em abril de 2020.

O Paraná Pesquisas entrevistou por telefone 2.002 habitantes com mais de 16 anos de idade dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal. A margem de erro para os resultados gerais é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

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