O Partido Liberal, o maior da oposição ao atual governo do Paraguai, confirmou oficialmente nesta segunda-feira 8 que vai tentar emplacar um julgamento político visando o impeachment do presidente do país, Mário Abdo Benítez, e do vice, Hugo Velázquez. Entretanto, a bancada governista tem a maioria na Câmara dos Deputados, o que pode dificultar a aprovação do processo.

O impeachment vem sendo cobrado em manifestações populares que começaram na última sexta-feira, em Assunção, motivadas pela escassez de recursos em hospitais públicos para enfrentar a pandemia de Covid-19. Novos protestos foram organizados na madrugada desta terça-feira, 9, quando 16 pessoas foram presas, e outros atos já estão marcados para os próximos dias.

O Partido Liberal já havia anunciado no fim de semana que pretendia conseguir a cassação de Abdo Benítez, do Partido Colorado. No entanto, são necessários 53 votos favoráveis na Câmara para a abertura de um julgamento político no Senado, número distante do que a legenda possui atualmente.

O que poderia definir o rumo do processo é a adesão do setor do Partido Colorado ligado ao ex-presidente Horacio Cartes (2013-2018), que tem mais deputados que a Honra Colorada, ala encabeçada por Abdo Benítez. Entretanto, os membros do grupo de Cartes já mostraram oposição ao impeachment.

Esta não é a primeira vez que a sombra da destituição paira sobre o presidente, que foi poupado de uma iniciativa da oposição ainda no primeiro ano de seu mandato devido a um controverso acordo secreto de energia com o Brasil. De fato, o apoio de Cartes, outrora rival político de Abdo Benítez no Partido Colorado, foi fundamental para que o projeto fosse arquivado.

Protestos e prisões

O anúncio do Partido Liberal começou a ser forjado no sábado, após os violentos incidentes ocorridos na noite anterior em protestos em frente ao Congresso, onde policiais e manifestantes entraram em confronto. Durante a madrugada desta terça-feira, 9, novos atos resultaram na prisão de 16 pessoas.

Fontes da polícia local informaram que os detidos, a maioria jovens, serão encaminhados para prestar depoimento diante de representantes do Ministério Público. Eles estão sendo acusados de vandalismo.

Nas ruas de Assunção, alguns participantes do protesto destruíram mobiliário urbano, provocaram pequenos incêndios e tiveram como principal alvo a sede o Partido Colorado. Cerca de 50 manifestantes, além disso, entraram em confronto com agentes das forças locais de segurança, até que a situação foi controlada.

(Com EFE)

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