As execuções extrajudiciais persistem na Venezuela, onde as forças policiais realizaram mais de 200 assassinatos desde setembro do ano passado, denunciou nesta quarta-feira, 10, a missão internacional da Organização das Nações Unidas incumbida de investigar as violações de direitos humanos no país. 

A presidente da missão de especialistas, a portuguesa Marta Valiñas, apresentou os resultados ao Conselho de Direitos Humanos para analisar a evolução das liberdades fundamentais na Venezuela desde que apresentou seu primeiro relatório, em setembro de 2020. Em sua fala, ela destacou que a repressão contra todas as vozes críticas continua incessante.

Sobre as execuções extrajudiciais, prática denunciada pela missão há seis meses, Valiñas citou como exemplo uma operação policial ocorrida em janeiro, no bairro de La Vega, em Caracas, “uma das mais letais até hoje”, da qual participaram 650 agentes e ocorreram vários assassinatos.

Naquele final de semana, ao menos 23 pessoas morreram em um confronto entre a polícia e gangues, de acordo com reportagens e ativistas, enquanto o governo enfrentava um questionamento internacional por causa das mortes causadas pelas forças de segurança. Brasil e Estados Unidos expressaram preocupação com o que o encarregado de negócios norte-americano classificou de “massacre”. 

Valiñas também expressou preocupação com a crescente perseguição de ativistas humanitários e organizações não governamentais, enquanto o governo liderado por Nicolás Maduro endurece as exigências para o registro, financiamento e operação dessas ONGs.

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As acusações foram apoiadas por organizações locais. Uma delas, a Provea, declarou na terça-feira que ao menos 2.853 pessoas morreram nas mãos de agentes das diferentes forças armadas do país durante 2020.

“Fake News”

Em resposta, o embaixador venezuelano nas Nações Unidas em Genebra, Héctor Constant, afirmou que o relatório da missão “mais uma vez apresenta informações falsas, extremamente politizadas, tendenciosas, seletivas e sem qualquer equilíbrio”. Segundo ele, a produção do documento foi feita com base em “táticas de fake news”. 

Ele acrescentou que, na preparação do documento, os investigadores recorreram a “fontes inventadas ou publicações anônimas nas redes sociais, o que constitui uma vergonha acadêmica”. Ele também criticou o uso de mais de US$ 8,3 milhões do orçamento do Conselho dos Direitos Humanos da ONU para a produção do documento. 

Em publicação nas redes sociais, o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Jorge Arreaza, compartilhou um vídeo da fala de Constant, afirmando que “diante das falsidades da suposta Missão de Descobrimento de Fatos, nosso embaixador no Conselho de Direitos Humanos dá uma resposta extraordinária”.

“A Venezuela não reconhece essa Missão ideologizada, que inventa relatórios à distância de forma antiética”, escreveu.

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