O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), voltou à carga para tentar convencer o ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) a se filiar ao PSDB na próxima janela partidária. Na semana passada, Doria ofereceu um jantar para Maia no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, e discutiu a possibilidade de o grupo político do deputado migrar para o diretório do partido no Rio de Janeiro. Maia gostou do que ouviu e passou a considerar a oferta. Em entrevista a VEJA, em março, ele havia afirmado que estava decidido a se filiar ao MDB.

Justamente pelo acerto encaminhado com o MDB, dirigentes tucanos no Rio já davam como encerrada a investida do PSDB por Maia. Após o jantar, contudo, Doria telefonou para os correligionários e disse que estava otimista em relação à vinda do deputado para partido. Se um acordo for concretizado, a ideia de Maia é levar para a sigla todos os políticos que compõem seu núcleo de força no estado, incluindo o prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes (DEM). No Rio, o PSDB é presidido pelo empresário Paulo Marinho, que já admitiu abrir mão do cargo para receber o deputado.

O PSDB não tem força nem relevância política no Rio de Janeiro. Mas, se o grupo de Maia aceitar a oferta, a sigla se tornará um peça central para a eleição de 2022 no estado. Recentemente, o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) abriu conversas com Maia e Paes para discutir a formação de alianças na disputa pelo governo local. A ideia é impedir que o governador em exercício, Claudio Castro (PSC), consiga a reeleição com o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Fortificar o diretório do Rio também interessa a Doria, que está em busca de musculatura dentro do partido. Apesar de não esconder de ninguém a pretensão de se lançar à Presidência em 2022, o governador está longe de ser uma unanimidade no PSDB. Uma ala significativa dos tucanos prefere ter o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, na corrida pelo Palácio do Planalto. Uma prévia para decidir quem será o candidato foi marcada para outubro. Por isso, quanto mais aliados chegarem à sigla, mais perto Doria estará da candidatura.

Maia já declarou publicamente que deixará o DEM por ter se sentido traído pelo presidente da sigla, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, na eleição para a presidência da Câmara. Por pressões vindas da bancada, ACM declarou que a sigla ficaria neutra na disputa, o que contribuiu para a derrota de Baleia Rossi (MDB-SP), o candidato que Maia havia escolhido para sucedê-lo no posto. O eleito foi Arthur Lira (Progressistas-AL), que contava com o apoio de Bolsonaro.

Doria também está de olho em filiar o vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (DEM). No entorno do tucano, comenta-se que há “grandes chances” de Garcia migrar para a legenda. Como mostrou a coluna Radar, o movimento acompanha uma tentativa de convencer o ex-governador Geraldo Alckmin a concorrer ao Senado ou à Câmara. Ambos pleiteiam a sucessão de Doria em 2022, o que poderia levá-los para a disputa de prévias com a mudança de Garcia para o partido.

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