A ineficiência do governo em relação à compra das vacinas contra a Covid se repete também nos planos de testagem em massa da população.

Depois de suspender os estudos de um grupo de pesquisadores do Rio Grande do Sul que já estavam realizando testes, o Ministério da Saúde vai desembolsar um valor muito maior para colocar em prática seu programa de testagem.

Durante sua segunda participação na CPI da Pandemia, o ministro Marcelo Queiroga confirmou que a testagem em massa vai custar R$ 200 milhões para 211 mil pessoas. O custo é de aproximadamente mil reais por pessoa.

A Epicovid, pesquisa realizada pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da (Ufpel) que investigava os números de infectados pela Covid-19 e o comportamento do vírus na população, custou R$ 12 milhões de reais, teve três fases e testou 100 mil pessoas. Nessa pesquisa, o custo foi de cerca de R$ 120 por pessoa, quase 10 vezes mais barato que o programa do governo.

A Epicovid era subsidiada pelo governo, mas foi suspensa ainda na gestão de Eduardo Pazuello. O epidemiologista Pedro Hallal, responsável pela coordenação da Epicovid, chamou de absurdo o custo da testagem.

“É um absurdo o valor. É mil reais por cada pessoa participante da pesquisa. É absolutamente incompreensível”, afirma Hallal à coluna.

Além do alto custo, a testagem do governo vai se concentrar em capitais e regiões metropolitanas. A Epicovid testou pessoas em 133 cidades espalhadas por todos os Estados brasileiros.

Não dá pra entender as escolhas do governo. Além de negligenciar as vacinas, agora vai gastar muito mais dinheiro público para testar a população. A Epicovid tinha ainda o mérito de ter sido iniciada bem no começo da pandemia, poderia ter orientado as políticas públicas se tivesse tido continuidade.