O presidente Jair Bolsonaro, em pronunciamento de cerca de três minutos em rede nacional de rádio e TV nesta terça-feira, 23, no qual defendeu a postura de sua gestão em relação à compra de vacinas, “esqueceu” dois assuntos importantes envolvendo a pandemia e o seu governo nos últimos dias: a troca de ministros da Saúde e as críticas que tem feito às políticas de distanciamento social adotadas nos estados e municípios para frear o avanço do novo coronavírus.

A formalização da troca de ministros ocorreu nesta terça-feira, poucas horas antes, e foi consequência do avanço da doença – pela primeira vez, o país rompeu a marca de 3.000 mortos em 24 horas (foram 3.158): saiu o desgastado Eduardo Pazuello e entrou o médico cardiologista Marcelo Queiroga, em cerimônia discreta no Palácio do Planalto.

Se o discurso sobre a vacina em rede nacional sinalizou uma mudança de postura do presidente em relação ao tema, a omissão ao distanciamento social também mostra a disposição, ao menos por ora, de Bolsonaro não recuar em relação à posição crítica que tem sobre o assunto.

Ele chegou a ir ao Supremo Tribunal Federal para pedir o cancelamento das restrições adotadas pelos governos da Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, mas o ministro Marco Aurélio Mello negou a liminar pedida por ele. De qualquer forma, nesta terça, Bolsonaro também não criticou, ao menos em público, as políticas de lockdown, o que já é uma inflexão, uma vez que isso vinha sendo assunto diário em suas conversas com simpatizantes ou em posts nas redes sociais.

Outra omissão no pronunciamento foi sobre o chamado “tratamento precoce”, bandeira também empunhada com afinco pelo presidente, que consiste no uso de medicamentos como hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina, todos sem comprovação científica contra a doença. Ao lado do isolamento social, o tema é um dos que mais mobilizam a base bolsonarista nas redes sociais.

Paz

O discurso de Bolsonaro foi construído durante o dia com a ajuda de articuladores importantes, como o ministro Fábio Faria (Comunicações), e tem como principal objetivo aliviar o clima para a reunião que deve ocorrer nesta quarta-feira, 24, entre os chefes dos Três Poderes para discutir o nível crítico da pandemia no país.

Devem participar do encontro Bolsonaro e os presidentes do STF, ministro Luiz Fux; e das duas Casas do Congresso: o deputado Arthur Lira (PP-AL), e o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

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