Lentidão na vacinação, sem auxílio emergencial, com restrições de circulação por todo o país.  A pandemia em sua fase mais mortífera levou a Gerando Falcões, de Edu Lyra, a relançar a campanha “Corona no Paredão, Fome Não”. No ano passado, a ONG arrecadou 25 milhões de reais que beneficiaram 420 mil famílias faveladas por todo o país. De lá para cá, o engajamento em torno do problema caiu significativamente, mas segundo Edu Lyra a fome já bateu novamente na casa das pessoas. A queda no engajamento de empresas e empresários pode ser vista nos próprios números que agregam todas as doações do país, compilados pela Associação Brasileira de Captadores de Recursos. Depois de atingir a marca recorde de 6,5 bilhões de reais em captação no ano passado, o ritmo de doações despencou e mensalmente apenas algumas dezenas de milhões de reais são arrecadados.

“Fracassamos na construção de um acordo nacional para vencer a Covid. O Brasil tem humilhado os mais pobres”, lamenta Edu Lyra. “Nós fracassamos de forma deliberada como nação.” A falta de renda tem um efeito emocional muito grande sobre a favela. “Eu vi com os meus olhos, a nossa melhor aluna usando drogas. Essas crianças veem seus pais desesperados por não ter como botar comida em casa e ficam desesperados também e para não pirar vão para as drogas”.

As críticas de Edu Lyra vão também para a forma como foi politizada a vacina. De acordo com o Data Favela e o Instituto Locomotiva, cerca de 25% das pessoas acreditam piamente que um chip será inserido em seus corpos ao tomarem a vacina, e 31% têm medo que, ao tomar vacina, contraia Covid. Além disso, Lyra lembra que as políticas dos governos para a distribuição de vacina contemplam profissionais de saúde, mas não as faxineiras dos hospitais. Os professores entraram no planejamento, mas não as merendeiras. “São consequências nefastas sobre os mais pobres, que além de tudo são as maiores vítimas da Covid.”

Estudos científicos, de fato, mostram que as populações mais vulneráveis são mais contaminadas e morrem mais, devido às condições sanitárias. A crise econômica também afeta mais esta população. O ano de 2021 começou com 27 milhões de pessoas na miséria, conforme a Fundação Getulio Vargas (FGV). São quase 13% da população.

As doações para a campanha do Gerando Falcões podem ser feitas pelo site https://gerandofalcoes.com/coronanoparedao. A exemplo da primeira fase da campanha, no ano passado, as doações serão convertidas em cestas básicas digitais. O benefício terá duração de dois meses e as famílias receberão um cartão com 150 reais cada mês. A Gerando Falcões acredita que, ao dar o dinheiro em vez de cestas básicas, a doação acaba ajudando a movimentar a economia dos pequenos mercadinhos nas favelas.

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