Horas depois de o Brasil registrar 1.972 mortes por Covid-19, o recorde em toda a pandemia, a Confederação Brasileira de Futebol realizou uma transmissão online na manhã desta quarta-feira, 10, para confirmar a continuidade do calendário de competições pelo país. A entidade avalia que não há motivo para paralisar as atividades, já que entende que o protocolo aplicado aos atletas e a outros profissionais do meio é eficaz. Na contramão do movimento, as competições em São Paulo podem parar. João Doria e o Ministério Público do Estado são favoráveis à interrupção, mas a pressão da Federação Paulista de Futebol e dos clubes ainda busca reverter o cenário.

A coletiva realizada pela CBF para apresentar o Relatório Operacional da Comissão Médica Especial da entidade contou com a presença do secretário-geral Walter Feldman. O dirigente tratou de, logo na abertura, defender a realização das competições de futebol pelo país já que a aplicação do protocolo sanitário é feita com “convicção”, graças à experiência prática dos últimos meses. “O futebol é seguro, controlado, responsável e tem todas as condições de continuar”, resumiu.

A CBF apresentou o levantamento feito pela equipe do coordenador médico Jorge Pagura que, de acordo com a entidade, comprova a segurança dos procedimentos aplicados dentro do futebol para manter a atividade segura. Desde a volta dos campeonatos, em agosto, foram realizadas 2.423 partidas envolvendo 367 times. O teste PCR foi aplicado 89.052 vezes em 112 municípios do país e apenas 2,2% dos resultados foram positivos.

A CBF garante que nenhum atleta entrou em campo sem ser testado – embora a efetividade não tenha sido perfeita, como aconteceu com o meio-campista Valdívia, do Avaí, que atuou infectado por 45 minutos em um duelo da Série B, já que o resultado positivo do exame só chegou no intervalo.

Com a confirmação da CBF, o calendário de competições nacionais está garantido conforme foi planejado. A Copa do Brasil 2021 inclusive já começou. Os confrontos inaugurais da primeira fase aconteceram nesta terça-feira, 9. A entidade afirmou que caso alguma cidade não possa receber um jogo, o duelo será realizado normalmente em outro local. Este pode ser o caso das partidas realizadas no Estado de São Paulo, caso o poder estadual decida interromper as atividades.

Indefinição em São Paulo

Na manhã desta quarta-feira, o Ministério Público de SP e a Federação Paulista de Futebol realizaram uma reunião para definir se o Campeonato Paulista será interrompido ou continuará normalmente. O governador João Doria é favorável à paralisação de várias atividades para conter o contágio do vírus, entre elas o futebol profissional, mas a pressão dos clubes – afundados ainda em dívidas por causa da situação de pandemia e dependentes das verbas vindas da competição para não fecharem as portas – e da própria FPF está pendendo a balança para a continuidade.

Fontes ouvidas por PLACAR afirmam que a tendência é que o poder estadual volte atrás na decisão de parar o calendário e faça uma última tentativa de manter as atividades. Por ser um assunto delicado e que envolve setores fortes da sociedade, a divulgação da decisão tomada pelo governo do estado será divulgada somente nesta quinta-feira, 11. Na coletiva desta quarta-feira, Doria não citou o assunto nem mesmo quando foi questionado pelos jornalistas.

Já o coordenador do centro de contingência da Covid-19 Paulo Menezes falou vagamente sobre o tema. “Não tomamos medidas em função de um setor ou outro. Temos que reduzir o contato entre as pessoas. Isso a gente faz ficando em casa”. Ele também disse que o governador pode tomar alguma decisão mais rígida caso seja necessário, sem deixar claro se a referência era sobre a interrupção das atividades do futebol profissional.

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