Criptomoedas e NFT

SÃO PAULO – Apesar de não ser algo novo, o noticiário envolvendo fraudes, golpes e roubos com criptomoedas ainda é algo que afasta muitos investidores para esse mercado, que não só ficam assustados com a volatilidade, mas também enxergam mais riscos de envolvimento de criminosos nesse mundo.

Diante disso, o debate da regulamentação do mercado cresce, e se de um lado não agrada os entusiastas mais “puristas” do Bitcoin e outras moedas digitais, é visto por especialistas como um passo importante para dar segurança e levar ao crescimento dos ativos.

“Eu acho que regulação é uma boa notícia. Quando se colocam boas regras, pró-mercado, é uma boa notícia”, disse Marcelo Sampaio, CEO da gestora Hashdex, durante a Expert XP 2021.

Segundo ele, diversos países já estão avançando com estudos para regulamentar o mercado cripto, incluindo os Estados Unidos e o próprio Brasil. “Mas isso é algo novo, então obviamente existe a oportunidade para crimes, mas também para o desenvolvimento social, para criação de mercados que não existiam antes”, avalia.

Durante o evento, Reinaldo Rabelo, CEO da corretora de criptomoedas Mercado Bitcoin, ressaltou que já existe regulação suficiente no país para punir quem comete crime no mercado. “Na verdade, a culpa dos golpes e das fraudes nunca é da tecnologia, é de quem usa errado isso”, disse.

Rabelo citou a proposta recente do presidente americano Joe Biden, incluída no pacote de infraestrutura de seu governo, que, segundo ele, “de certa maneira copia a regulação brasileira”. Desde 2018 já existe no país uma determinação da Receita Federal que obriga as exchanges, como o próprio Mercado Bitcoin, a reportarem as informações de negócios feitos na plataforma, algo que os EUA estão tentando adotar agora.

Por outro lado, um ponto que ele sente que é preciso melhorar, e que já está sendo discutido com o Banco Central e com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), é autorizar as gestoras para que fundos possam comprar e custodiar suas criptomoedas no Brasil, algo que hoje não é possível.

Aplicações de cripto

Questionados sobre as aplicações das criptomoedas na vida real, os dois especialistas comentaram a infinidade de novidades que surgem todos os dias nesse mercado.

Sampaio destacou um uso que tem sido bastante comentado, que são as NFTs (tokens não fungíveis), que, segundo ele, possui uma “aplicação muito direta”, que é no mundo das artes, onde inclusive essa modalidade pode ajudar a reduzir o risco de fraudes em peças únicas de tanto valor como essas.

Ele destaca ainda o recente Axie Infinity, um jogo que usa NFTs e tem chamado muita atenção de investidores e jogadores com sua remuneração em tokens dentro da plataforma, além também de citar que os bens das pessoas, como suas residências, também podem ser NFTs, já que são únicos.

“As pessoas falam que a blockchain vai acabar com o cartório, mas quem vai fazer isso é a NFT”, diz ele.

Já Rabelo cita que no Mercado Bitcoin houve um recente crescimento no fan token do PSG, após a contratação do astro Lionel Messi, como outra demonstração das criações que as criptos geram, indo além dos meios de pagamento ou contratos inteligentes já tão conhecidos.

“Meme coins”

A dupla avaliou ainda o surgimento recente das chamadas “meme coins” – como a Dogecoin – criptos que são impulsionadas principalmente pelos investidores pessoa física e que, em geral, não possuem bons fundamentos e são mais uma brincadeira do que um projeto sério.

“Tem que ter uma utilidade para poder existir. O Dogecoin é quase uma coisa surreal, porque quando você olha justamente o objetivo dele, foi ser um dinheiro alternativo e o Elon Musk abraçou a brincadeira, que está ficando cada vez mais séria […] Eu não sou um grande entusiasta, mas tenho que manter meu escopo aberto, que se um dia tanta gente quiser adotar o Dogecoin como dinheiro, aquilo vai virar dinheiro”, afirma Sampaio.

Por outro lado, ele lembra que, pensando no mercado tradicional, o que tem longevidade são boas empresas, projetos úteis para a sociedade. Sampaio acredita que são os “bons projetos que tendem a continuar”, enquanto esses “memes”, apesar de gerarem uma euforia, não tendem a durar muito.

Rabelo, por sua vez, lembra que esse tipo de ativo não é uma exclusividade das criptomoedas, citando o caso recente da rede de lojas Game Stop, que teve seu preço inflado na bolsa de ações dos EUA por conta da organização de investidores pessoa física em fóruns da internet.

“Dogecoin é uma brincadeira e outras surgiram depois dele”, diz o CEO do Mercado Bitcoin lembrando de ativos como a Shiba Inu. “Mas as pessoas gostam de comprar isso, mesmo sabendo que é brincadeira. É algo a se observar e ver se temos algo a fazer com isso”, avalia.

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