Vereador de Cachoeirinha é preso em investigação sobre homicídios e tráfico de drogas

bailey aschimdt
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Segundo a Polícia Civil, candidatura de José Francisco Soares da Silva (PSD) foi financiada pelo tráfico. Outras 20 pessoas tiveram mandado de prisão cumprido. Operação prendeu vereador envolvido com facção criminosa
Divulgação / Polícia Civil
A Polícia Civil realizou, nesta terça-feira (3), uma operação de combate a uma facção criminosa responsável por, pelo menos, 31 homicídios desde 2013 na Região Metropolitana de Porto Alegre. O vereador de Cachoeirinha, José Francisco Soares da Silva (PSDB), o Juca, foi preso.
O G1 tenta contato com a defesa do vereador.
Foram cumpridas 82 ordens judiciais, nos municípios de Porto Alegre, Gravataí, Cachoeirinha, Esteio, Guaíba, Portão, Tramandaí e Pelotas.
Foram cumpridos 20 mandados de prisão preventiva, sendo que 18 presos já estavam recolhidos no sistema carcerário e dois estavam em liberdade. A polícia também cumpriu mais de 50 mandados de busca e apreensão em bingos de Cachoeirinha, Esteio, Porto Alegre, Gravataí, estabelecimentos comerciais usados como ponto de tráfico em Cachoeirinha e Gravataí, e na casa de suspeitos e parentes, também nas duas cidades.
Segundo a polícia, as investigações duraram um ano. Uma delação premiada permitiu que as autoridades chegassem aos autores dos crimes.
De acordo com o delegado Cassiano Cabral, o chefe de um dos braços da facção investigada é Tiago Soares da Silva, conhecido como Pequeno. Abaixo dele na hierarquia do grupo, existem outras três pessoas divididas em núcleos: tráfico e homicídios; bingo e política.
Pequeno é irmão do vereador Juca. Ele já está preso desde março e dava as ordens de dentro do presídio.
“O primeiro núcleo dos crimes mais violentos, homicídios permeados pelo tráfico de drogas. O segundo das contravenções, jogos de azar, bingos e caça níqueis que traziam um lucro igual ou mais que o tráfico. E o núcleo político, que tinha uma engenharia montada para que membros da organização criminosa se inserissem no estado e isso de fato iniciou com a eleição de um faccionado para um cargo eletivo do Legislativo Municipal de Cachoeirinha”, diz Cabral.
A polícia afirma que a candidatura de Juca foi financiada com o dinheiro do tráfico e dos jogos clandestinos administrados pela facção.
Juca foi eleito em 2020 com 889 votos. Segundo a polícia, a mando do irmão, materiais de campanha de concorrentes eram arrancados e queimados e os adversários ameaçados.
Um dos indícios da participação de Juca no esquema é uma planilha da movimentação financeira do grupo obtida através da delação premiada. Ao lado do nome dele aparece a quantia de R$ 1 mil, que seria uma espécie de mesada, paga pela facção, até ele ser eleito.
“Ficou bem claro pra nós que a partir do momento em que ele foi eleito havia uma negociata por cargos no executivo. Trocar negociatas que eram entendidas como necessárias para o alcance do Poder Executivo. O ingresso mesmo que tímido por um cargo municipal, mas que teria alcance no Executivo e a partir daí um plano maior de ingressar em cargos de maior relevância”, diz o delegado.
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