Policial que matou 4 em pizzaria de Porto Alegre é denunciado pelo MP por estupro de vulnerável

bailey aschimdt
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Denúncia aponta que crime ocorreu em janeiro deste ano em Gravataí. Outos dois homens também foram denunciados. Defesa nega acusação. No inquérito que apurou mortes em pizzaria, Polícia Civil considerou que soldado da Brigada Militar agiu em legítima defesa. Policial foi alvo de inquérito sobre quatro mortes em pizzaria de Porto Alegre em junho
Reprodução
O policial militar investigado por quatro mortes em uma pizzaria de Porto Alegre, em junho, foi denunciado pelo Ministério Público (MP-RS) em um processo que apura um suposto estupro de vulnerável em Gravataí, na Região Metropolitana da capital gaúcha. A denúncia, enviada ao Judiciário no dia 5 de julho, aponta que o soldado e outros dois homens teriam cometido o crime no dia 9 de janeiro deste ano em uma casa no bairro Castelo Branco.
O MP não identificou os nomes dos acusados. Entretanto, o diretor da Delegacia de Polícia Regional de Gravataí, Juliano Ferreira, confirmou ao G1 que o inquérito que culminou com a denúncia envolve o policial militar do caso da pizzaria.
Os advogados David Leal e Raiza Hoffmeister, representantes dos três réus, dizem que “não ocorreu qualquer crime sexual” e que a versão apresentada pela vítimas “é absolutamente inconsistente”.Veja a nota completa abaixo.
A defesa dos réus confirma, ainda, que a jovem teria se encontrado com os denunciados em uma festa. Contudo, os advogados alegam que os relatos são “conflitantes”.
O G1 entrou em contato com o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul para obter mais detalhes da ação e aguarda retorno.
Mortes em pizzaria
No inquérito que apura as quatro mortes ocorridas na pizzaria em Porto Alegre, em 13 de junho, a Polícia Civil afirma que o soldado da Brigada Militar agiu em legítima defesa.
As vítimas foram identificadas como Cristian e Cristiano Lucena Terra, irmãos de 33 e 38 anos, respectivamente, além do primo deles, Alisson Correa Lucena, de 28 anos, e o sobrinho, Alexsander Terra Moraes, 26 anos, que também morreram na ação.
Segundo a Polícia Civil, o policial militar teria invadido a residência da família dos quatro homens. Eles foram atrás do soldado, que acabou tentando se esconder no estabelecimento. Imagens de câmeras de segurança mostram o agente atingindo as vítimas após o cerco.
Após a ocorrência, o policial militar se apresentou à delegacia, assumiu o crime e entregou a arma. Por ter se apresentado espontaneamente e devido à versão de legítima defesa, ele não foi autuado em flagrante.
Nesse caso, os advogados David Leal e Raiza Hoffmeister sustentam a conclusão do inquérito, pelo não indiciamento do cliente, foi acertada. Já a família das vítimas contesta a versão de legítima defesa.
Nota do MP
“O Ministério Público em Gravataí denunciou três pessoas por estupro de vulnerável. O crime foi cometido na noite do dia 9 de janeiro deste ano em uma casa do bairro Castelo Branco, em Gravataí. A denúncia foi oferecida pela promotora de Justiça Ana Carolina de Quadros Azambuja em 5 de julho de 2021 e foi aceita pela Justiça.”
Nota da defesa dos réus
“É caso em que a vítima foi uma festa com amigos e procurou dissimular que ‘não lembrava de nada em momento específico’. Lembrou de tudo a noite toda, mas teve um branco após ser repreendida por outra mulher que estava na festa: ‘guria, olha o que tu está fazendo’. A suposta vítima e a amiga foram e voltaram de carona com os denunciados, sempre buscando satisfazer seu desejo. Desde a ida até o retorno, após o suposto crime, a vítima, estava lúcida de tudo o fazia e não apresentou comportamento de quem teria sofrido algum crime sexual. Sua versão é absolutamente inconsistente, tanto é que foi chamada para ser ouvida em duas ocasiões distintas e sua amiga por três ocasiões. O relato delas também é conflitante com o relato das demais testemunhas, especialmente com o relato dessa outra mulher que estava acompanhada de seu namorado e que estava na festa, mas desmentiu o relato de estupro. Ninguém estava embriagado a ponto de não se lembrar dos fatos. Todos beberam socialmente. É curioso que uma pessoa que diz ter sido vítima de estupro fica mais algumas horas na festa curtindo com os supostos abusadores. Quando as duas amigas voltaram a Porto Alegre ambas disseram que aceitaram a carona do meu cliente, porque ‘só queriam sair dali’. Primeiro: ninguém pegaria carona com o suposto autor do estupro, muito menos sendo vítima, nem praticaria qualquer ato libidinoso na sua presença. Segundo: antes de elas pegarem carona com o meus clientes (um foi dirigindo e outro amigo foi no banco de trás para o deleite da vítima, que dominava a cena), outro casal havia oferecido carona, mas elas não aceitaram; ofereceram de chamar Uber, também não quiseram. Tudo porque queriam ir com os ‘meninos’, justo os que ‘denunciaram’. Isso vai contra a fala de quem só queria sair do local. Em suma, as duas amigas fizeram a maior festa, e depois se sentiram envergonhadas, chegando a tal ponto de dissimularem que uma delas estava inconsciente. Não é caso que devia ocupar o Poder Judiciário, pois não ocorreu qualquer crime sexual e em breve ambas responderam por denunciação caluniosa. A vítima já tem outras denuncias por crime sexual com pessoas distintas. É lamentável que algumas pessoas façam uso da proteção conferida às vítimas de crimes sexuais. No presente caso a vítima foi demasiado cruel.”
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