Pacientes de Covid são tratados em ambulatório que atendeu sobreviventes da Kiss em Santa Maria: ‘Está me ajudando’

bailey aschimdt
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Unidade presta atendimento psiquiátrico para pessoas que tiveram Covid-19. Pacientes da doença e sobreviventes da tragédia, que matou 242 pessoas em 2013, relatam experiências. Ambulatório que ajudou sobreviventes da Boate Kiss agora tratam quem se curou da Covid
Um ambulatório que atendeu sobreviventes do incêndio da Boate Kiss em 2013 está tratando pessoas diagnosticadas com coronavírus em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. Os pacientes contam com amparo psiquiátrico pós-Covid, realizado por profissionais de saúde que auxiliaram a comunidade na época da tragédia que vitimou 242 pessoas.
“Está me ajudando um monte”, diz a aposentada Maria Pereira, que ficou 20 dias internada com Covid.
A paciente, que chegou a ficar na UTI, perdeu peso e ficou sem andar após a hospitalização. Depois da alta, descobriu que a mãe havia morrido de Covid e passou a sentir falta de ar e ansiedade com frequência.
“Então juntou tudo. Juntou o medo, porque eu tinha muito medo de sair, porque parecia que eu já ia me contaminar de novo”, conta.
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Ambulatório atende pacientes pós-Covid em Santa Maria
Reprodução/RBS TV
A pneumologista Alessandra Bertolazi, que atua na unidade, explica que situações como essa são avaliadas por profissionais de saúde de diversas áreas. Aproximadamente 200 pacientes são atendidos no local. A equipe vai acompanhar as pessoas por mais quatro anos.
“A questão da falta de ar, cansaço, muitas vezes o paciente pode ter alguns sinais até de pânico associados. Então, nessas situações, eles são avaliados pela pneumologia e são avaliados também, por exemplo, pela equipe da psicologia e psiquiatria”, detalha.
Os médicos explicam que o quadro de quem supera o coronavírus é semelhante ao de sobreviventes do incêndio, caso da servidora pública Cristiane Clavé. Ela, que sofreu graves lesões pulmonares por permanecer dentro da boate em chamas, relata que tinha falta de ar quando lembrava da tragédia.
“Se eu começava a recordar, se eu começava a reviver aquilo tudo o que eu vivi lá dentro – que eu me lembro de tudo o que eu passei lá dentro –, aí aquilo causava uma falta de ar”, afirma.
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Segundo o coordenador do ambulatório, Vitor Calegaro, muitas vezes o paciente confunde sintomas físicos quando, na verdade, eles podem ser mentais.
“Esse pico de ansiedade que ocorre por causa das lembranças dessa situação emocional pode ser, às vezes, mal interpretado pela pessoa como sendo uma sequela, por exemplo, da Covid-19, um problema pulmonar. Só que a constatação é que não era físico, era puramente uma sensação de pânico. Uma sensação de ansiedade extrema decorrente dessas lembranças”, comenta.
Fachada do prédio, onde funcionava a boate Kiss, foi pintada de preto e estampada a frase ‘oito anos de impunidade’
Fabiana Lemos/RBS TV
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