Audiência na Assembleia debate uso dos recursos do Firece no Rio Grande do Sul

Diego Rodríguez Velázquez
Diego Rodríguez Velázquez
Audiência na Assembleia debate uso dos recursos do Firece no Rio Grande do Sul

Comissão de Serviços Públicos ouviu secretário da Reconstrução Gaúcha e cobrou transparência sobre obras financiadas com recursos federais

Mais de dois anos após a enchente que devastou parte do Rio Grande do Sul, a forma como o dinheiro público está sendo usado na reconstrução ainda gera perguntas entre parlamentares, prefeituras e moradores. Foi esse o pano de fundo da audiência pública realizada pela Comissão de Serviços Públicos da Assembleia Legislativa, no Plenarinho, para discutir o andamento dos projetos financiados pelo Firece, o Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos ExtremosA Comissão de Serviços Públicos da Assembleia Legislativa está realizando, nesta quinta-feira (25), uma audiência pública no Plenarinho. A audiência vai até às 13h30. Os debates tratam do FIRECE (Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos). A dúvida que motiva o debate é direta: quanto do dinheiro prometido já chegou às obras e o que falta para que a proteção contra novas cheias saia efetivamente do papel. agorars

O que é o Firece e por que ele voltou ao centro do debate

O Firece foi criado pelo governo federal em dezembro de 2024, logo depois da tragédia climática, com um aporte inicial de R$ 6,5 bilhões destinados a financiar obras de mitigação de riscos, como drenagem urbana, canais, diques e estações de bombeamentoO fundo recebeu um aporte inicial de R$ 6,5 bilhões e tem como objetivo financiar obras de mitigação de riscos, como drenagem urbana, canais, diques, estações de bombeamento e sistemas de contenção. Os projetos financiados pelo fundo são definidos em conjunto pelos governos federal e estadual, e o pagamento aos fornecedores só é liberado depois da comprovação de que a obra foi de fato executada. Ebc

A audiência realizada na Assembleia ocorreu mais de um ano depois da liberação inicial dos recursos, e um dos pontos centrais da discussão foi justamente a cobrança por mais transparência sobre os projetos e intervenções previstosO debate ocorre mais de um ano após a liberação de R$ 6,5 bilhões pelo governo federal para obras de reconstrução e adaptação climática. Entre os temas em discussão está a cobrança por transparência sobre os projetos e intervenções previstos. Essa demanda faz sentido diante do tamanho do investimento e do histórico de atrasos que costuma acompanhar obras públicas de grande porte, ainda mais em infraestrutura de prevenção a desastres, cujo impacto só é totalmente percebido quando um novo evento climático extremo testa o sistema. agorars

Quem participou e o que foi cobrado na audiência

A sessão contou com a presença do secretário da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, além de representantes de prefeituras, vereadores, especialistas e entidades da sociedade civilA audiência conta com a participação do secretário da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi. Também a representantes de prefeituras, vereadores, especialistas e entidades da sociedade civil. A variedade de participantes mostra que o tema interessa não apenas ao governo estadual, mas também aos municípios que dependem diretamente das obras de proteção contra cheias para reduzir o risco de novas perdas humanas e materiais. agorars

Esse tipo de fiscalização legislativa tem papel prático na rotina da reconstrução: é na comissão que prefeitos e técnicos municipais levam dúvidas específicas sobre prazos, valores e prioridades de cada obra, ao mesmo tempo em que o governo estadual presta contas sobre o uso dos recursos recebidos da União. Para o cidadão que acompanha a reconstrução do Rio Grande do Sul, esse tipo de audiência funciona como um termômetro de quanto o processo avançou e onde ainda existem gargalos.

Quanto já foi liberado e o que vem a seguir

Parte da resposta a essa cobrança já havia sido dada meses antes, quando o governo federal formalizou contratos e ordens de serviço que somam R$ 5,4 bilhões dentro do Firece, voltados ao fortalecimento dos sistemas de proteção contra cheias em municípios atingidos pelas enchentes de 2024Para fortalecer o sistema de proteção contra cheias no estado, a ministra Miriam Belchior assina contratos de repasse de recursos e de uma ordem de serviço que totalizam R$ 5,4 bilhões. Esses recursos beneficiam diretamente Porto Alegre e outros 15 municípios gaúchos, com intervenções em bacias como a do Rio Gravataí, do Arroio Feijó e da região dos Sinos. GOV.BR

Para dar mais visibilidade a esse processo, a Casa Civil da Presidência também lançou um portal de acompanhamento das obras financiadas pelo fundo, no qual é possível seguir o cronograma dos projetos em andamentoO governo federal lançou, nesta quinta-feira (7), um portal para monitorar a execução de obras de mitigação e adaptação às mudanças climáticas no Rio Grande do Sul, com investimentos de R$ 6,5 bilhões. Ainda assim, a existência dessa ferramenta não substitui a fiscalização direta exercida pelo Legislativo, o que explica por que audiências como a do Plenarinho continuam sendo agendadas mesmo com o portal já em funcionamento. Jornal de Brasília

O episódio reforça um padrão que deve se repetir enquanto durar a reconstrução do Rio Grande do Sul: o dinheiro segue sendo liberado em etapas, as obras avançam de forma desigual entre os municípios e o Legislativo estadual mantém a pressão para que a execução dos projetos financiados pelo Firece não perca ritmo. Para os moradores das áreas mais afetadas pela enchente de 2024, o que importa é ver essas obras concluídas antes que um novo período de chuvas intensas coloque o sistema à prova outra vez.

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