Fábio Cezar Zortea tentava interceder pelos dois filhos, que eram abordados por PMs, quando foi atingido por um tiro na calçada de casa. Advogado diz que ele estava desarmado e não estavam em paridade de armas. Brigada Militar afirma que policiais foram afastados e instaurou inquérito. Policial aposentado é morto em confronto com policiais militares em Torres
O policial rodoviário federal aposentado Fábio Cezar Zortéa, de 59 anos, morreu após ser atingido a tiros por um policial militar, na madrugada desta segunda-feira (23), no centro de Torres, no Litoral Norte. Ele tentava interceder pelos dois filhos, que foram abordados por dois policiais do 2° Batalhão de Policiamento de Áreas Turísticas (2°BPAT), em frente ao seu apartamento, quando foi atingido.
Os dois filhos do policial rodoviário chegaram a ser presos, mas foram soltos na manhã desta terça-feira (24). Um dele, também chamado Fábio, como o pai, chegou a ser atingido (leia mais aqui).
“A Brigada Militar também informa que os policiais militares envolvidos na ocorrência já estão afastados de suas atividades e serão atendidos pelo serviço psicossocial prestado pelo Comando Regional, em Osório”, diz, em nota. Leia a nota na íntegra ao fim desta reportagem.
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Discussão em padaria
Segundo o delegado plantonista Adriano Koehler, da Polícia Civil, informações preliminares apontam que os dois jovens, filhos do PRF aposentado, teriam ido comprar cerveja em uma padaria, onde houve um desentendimento. A Brigada Militar foi acionada e os irmãos foram abordados em frente ao prédio.
A BM afirma que Zortéa, então, saiu de um prédio e entrou em confronto com os dois policiais. Um PM foi ferido, um dos filhos foi atingido e precisou ser internado no Hospital Nossa Senha dos Navegantes e o policial rodoviário federal aposentado morreu no local.
De acordo com o advogado Ivan Brocca, que representa a família, Zortéa estava desarmado. Ele foi à delegacia prestar queixa e requer que o crime seja enquadrado como duas tentativas e um homicídio doloso consumado.
“O que a gente quer é fazer justiça. Não se admite que esse tipo de brutalidade seja repetido com outra pessoa. Infelizmente é a morte de um colega de faculdade, de um cidadão de bem, de um policial rodoviário aposentado que estava desarmado. Não podem dizer que estavam em paridade de armas, porque só eles [policiais militares] estavam com armas de fogo”, sublinha.
O Comando Regional de Policiamento Ostensivo do Litoral (CRPO Litoral) informa que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar os fatos. Segundo o CRPO, para manter isenção e transparência, foi encarregado do inquérito um oficial do Comando Regional, e não do 2º BPAT.
De acordo com a PRF, Zortéa ingressou na instituição em 1994 e exerceu suas atividades na Delegacia de Osório, onde se aposentou, em 2014.
“Manifestamos nossa solidariedade e nosso sincero desejo de conforto à família nesse momento de dor. A PRF está prestando o apoio à família e acompanhará as investigações da Polícia Civil e da Brigada Militar, responsáveis pela apuração das condutas dos envolvidos, enquanto se coloca à disposição em contribuir para uma justa e isenta investigação”, afirma a PRF.
Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RS) afirmou que “acompanhará o desdobramento do caso com a devida atenção”. Leia na íntegra abaixo.
PRF aposentado Fábio Cezar Zortéa morreu ao ser atingido a tiros por um policial militar
Reprodução
Nota oficial da Brigada Militar
A Brigada Militar manifesta-se, por meio desta nota, sobre a ocorrência na madrugada da segunda-feira (23/8), no centro de Torres, na qual houve confronto entre dois policiais do 2º BPAT e três indivíduos. Após abordagem ao veículo em que dois deles estavam, o pai de ambos saiu de dentro de um prédio e houve o confronto do qual restaram um dos homens lesionados, um PM ferido e o pai, o policial rodoviário federal aposentado Fábio Cezar Zortea, em óbito.
Em primeiro lugar, a Brigada Militar lamenta a morte do policial aposentado e reforça a integração que mantém com a Polícia Rodoviária Federal.
O Comando Regional de Policiamento Ostensivo do Litoral (CRPO Litoral) já instaurou Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar os fatos e determinou como encarregado do IPM um oficial do Comando Regional, e não do 2º BPAT, a fim de manter total isenção e elucidar a ocorrência com a transparência necessária.
A Brigada Militar também informa que os policiais militares envolvidos na ocorrência já estão afastados de suas atividades e serão atendidos pelo serviço psicossocial prestado pelo Comando Regional, em Osório.
Tão logo o IPM seja concluído, no prazo máximo de 60 dias, a Brigada Militar prestará as devidas informações.
Nota da OAB
A OAB/RS vem a público se manifestar sobre o lamentável e preocupante fato ocorrido na madrugada desta segunda-feira (23/08), no município de Torres, no Litoral Norte, envolvendo integrantes da Brigada Militar, um integrante aposentado da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e seus filhos.
A OAB/RS acompanhará o desdobramento do caso com a devida atenção. Reiteramos a importância da apuração dos fatos com a maior celeridade possível.
A cidadania não pode mais conviver com casos de violência e abusos. Que a investigação policial aconteça na seara militar e na seara judicial e possa elucidar o trágico episódio na cidade de Torres.
A OAB/RS oficiou o Secretário de Segurança Pública e Vice-Governador, Ranolfo Vieira, bem como ao Comandante-Geral da Brigada Militar, Vanius Cesar Santarosa, e ao Corregedor-Geral da Brigada Militar, Tenente-Coronel Robinson Vargas de Henrique, solicitando uma apuração célere, bem como requereu acesso e acompanhamento pela Ordem as investigações.
A OAB/RS seguirá acompanhando o caso até seu devido e completo esclarecimento.
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