A Polícia Civil indiciou quatro acadêmicos do curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica  do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre. Na campanha de imunização contra covid, eles receberam Coronavac-Butantan na primeira dose mas agiram deliberadamente para completar o esquema vacinal com o fármaco de Oxford-Astrazeneca.

O grupo agora responderá por estelionato, falsidade ideológica e infração de medida sanitária. Os delegados que estão encarregados da apuração dos crimes sugeriram também a prisão preventiva dos universitários, medida que será analisada pela Justiça gaúcha.

De acordo com a investigação, em abril os estudantes – incluídos nos grupos prioritários da campanha, por trabalharem em âmbito hospitalar – identificaram e aproveitaram uma brecha no controle do processo de vacinação por parte das autoridades municipais de saúde.

Transcorridas algumas semanas desde a primeira picada no braço, eles omitiram o fato ao se apresentar em um local onde era aplicada a vacina de Oxford, recebendo então como inicial o que, na verdade, já era a segunda dose.

A atitude foi descoberta, porém, no momento em que a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) inseriu os dados dos  acadêmicos no sistema, percebendo que eles já haviam recebido o imunizante de origem chinesa e que no Brasil é produzido pelo Instituto Butantan-SP.

Chamado a depor, o grupo alegou que haviam recebido “por engano” duas vacinas diferentes, mas a conclusão da Polícia é de que sim, os agora investigados estava cientes da “malandragem”.

PUCRS se manifesta

Por meio de nota, a direção da universidade informou que acompanha as investigações e que está à disposição para colaborar no esclarecimento dos fatos. Confira, a seguir, o texto:

“A Pontifícia Universidade Católica seguiu todas as orientações das autoridades competentes na ocasião em que encaminhou a nominata dos alunos aptos para a realização da vacina contra a Covid-19 à Secretaria Municipal da Saúde. Ao mesmo tempo, prestou todos os esclarecimentos sobre os critérios e forma de vacinação estabelecidos pelos órgãos públicos de saúde”.

“Assim que tomou conhecimento dos atos dos referidos estudantes, em abril deste ano, a PUCRS imediatamente advertiu os quatro alunos e reforçou as orientações sobre as regras do processo de vacinação para toda a sua comunidade acadêmica, bem como manteve-se acompanhando os estudantes envolvidos quanto a possíveis efeitos adversos”.

“Após a advertência inicial, a Universidade manteve-se acompanhando a investigação, aguarda a conclusão do inquérito policial e seus desdobramentos, e permanece colaborando com as autoridades”.

(Marcello Campos)