A Prefeitura de Porto Alegre estabeleceu um novo cronograma de aferição obrigatória dos taxímetros dos táxis da Capital em decorrência do reajuste tarifário que passou a vigorar em fevereiro de 2026. Neste artigo, analisamos os impactos desta atualização, contextualizamos as mudanças para cidadãos e taxistas e discutimos as implicações práticas para a mobilidade urbana na cidade gaúcha.
A aferição dos taxímetros é uma etapa essencial para que os valores cobrados dos passageiros correspondam fielmente às tarifas oficiais estabelecidas. Com o mais recente reajuste, motivado pela inflação acumulada e pelas negociações entre as entidades representativas da categoria e o poder público, a Prefeitura divulgou um cronograma que estipula o prazo máximo para a realização dessa aferição. Os taxistas devem concluir o procedimento até abril de 2026, garantindo que os equipamentos estejam calibrados de acordo com os novos parâmetros tarifários.
Os ajustes nas tarifas não ocorrem de forma isolada. Eles refletem uma dinâmica mais ampla de revisão periódica do transporte individual remunerado por táxi, que busca equilibrar as necessidades econômicas dos prestadores de serviço com a proteção dos direitos dos usuários. O novo valor da bandeirada foi fixado em R$ 7,24, enquanto o quilômetro rodado durante o dia ficou em R$ 3,62 e, à noite, R$ 4,71. A hora‑serviço, que contabiliza o tempo de espera, também sofreu atualização, passando a ser de R$ 25,56.
Esses números são resultado de um reajuste de 4,26 %, índice que corresponde à variação da inflação entre janeiro e dezembro de 2025, conforme registrado pelos principais indicadores econômicos. Essa metodologia de correção segue a legislação municipal e leis federais que regem a prestação de serviços de transporte, garantindo que a recomposição tarifária esteja alinhada com a realidade econômica enfrentada pelos proprietários de táxi.
A aferição dos taxímetros junto às oficinas credenciadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) é obrigatória e está condicionada ao cumprimento do cronograma divulgado pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). A partir da disponibilização da tabela de referência com os novos valores, os taxistas podem utilizá‑la como base temporária até que a aferição seja concluída, evitando cobranças indevidas e protegendo o usuário de eventuais discrepâncias.
Do ponto de vista prático, a atualização tarifária e a exigência de aferição representam uma tentativa de preservar a sustentabilidade do modal de táxi, que enfrenta custos operacionais elevados, como combustível, manutenção veicular e tributos. Ao mesmo tempo, a medida busca garantir transparência e segurança ao passageiro – algo essencial em tempos em que a concorrência com serviços por aplicativo tem se intensificado. A aferição correta dos taxímetros reforça a confiança no modelo tradicional de transporte individual e contribui para a qualidade dos serviços prestados.
Além disso, a renovação da frota e o treinamento dos condutores também são fatores que influenciam positivamente a experiência do usuário. Em Porto Alegre, milhares de profissionais participam de cursos de formação que incluem temas como legislação, atendimento ao público, direção defensiva e primeiros socorros – elementos que vão além da simples cobrança da tarifa e revelam um compromisso com a segurança e satisfação dos passageiros.
Diante desse cenário, os taxistas precisam ficar atentos aos prazos e exigências estabelecidos, pois a operação de táxis sem a devida aferição pode resultar em autuações, como previsto pela legislação municipal. Do ponto de vista dos usuários, entender essas mudanças é fundamental para reconhecer o esforço de padronização e para evitar possíveis cobranças abusivas durante as corridas.
Em termos de mobilidade urbana, a atualização tarifária e a aferição dos taxímetros são partes de um processo mais amplo de adaptação ao contexto econômico atual. Porto Alegre, ao ajustar os valores e regularizar a aferição, busca manter a competitividade do transporte por táxi frente às alternativas tecnológicas, ao mesmo tempo em que valoriza o serviço tradicional, essencial principalmente em áreas onde a oferta de transporte por aplicativo pode ser mais limitada ou custosa.
Portanto, entender o cronograma de aferição, seus prazos e efeitos práticos é crucial tanto para os profissionais do setor quanto para os consumidores que utilizam o táxi como meio de transporte cotidiano. A medida representa um passo importante na direção de um serviço mais transparente, justo e alinhado às necessidades econômicas de todos os envolvidos.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
