O tumulto que marcou a chegada do ex-presidente Lula ao Piauí é uma pequena amostra do que deve se repetir ao longo da campanha de 2022. Na terça-feira, 17, manifestantes pró e contra o PT entraram em confronto no aeroporto de Teresina. A polícia interveio e retirou os bolsonaristas.

O petista já disse a interlocutores que pretende adiar ao máximo o retorno às ruas. Sabe que será chamado de corrupto, de ladrão. O discurso para enfrentar esse debate está pronto desde abril, quando ele retomou os direitos políticos: vai dizer que foi julgado por um juiz parcial e que as condenações foram anuladas, o que mostra sua idoneidade.

Isso, evidentemente, não vai conter os ataques. Lula, de fato, teve suas condenações por corrupção anuladas por questões formais, mas ele continua a responder processo por corrupção. Para evitar constrangimento, o PT pretende, sempre que possível, manter uma claque de apoiadores nos lugares por onde o ex-presidente passar.

A equipe do ex-presidente também está preocupada com a segurança do candidato. Interlocutores do petista reconhecem que a polarização é inevitável, que a eleição vai ser acirrada e as militâncias vão se enfrentar nas ruas — o que exige cuidados. No entanto, afirmam que o principal líder do partido tem maturidade e tranquilidade para enfrentar os ataques de eleitores e não se intimidar com ofensas.

Aliados de Lula dizem que, apesar de o cenário hoje ser muito favorável ao petista, a eleição ainda está longe e a disputa não está ganha. Reconhecem que a situação do ex-presidente na região Sul não é confortável, ao contrário do Nordeste, onde ele já intensificou a pré-campanha.