Notoriamente comedida em seus comentários públicos, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, fez críticas ao candidato de oposição ao seu governo, Olaf Scholz, do Partido Social-Democrata (SPD), nesta terça-feira (1º).

Merkel, que é integrante da legenda conservadora União Democrata-Cristã (CDU), fez críticas à possibilidade de siglas esquerdistas integrarem uma futura coalização de governo. Ela deixará o governo da Alemanha após 16 anos no poder.

No pleito programado para acontecer no próximo dia 26, Merkel apoia o conservador Armin Laschet, governador do estado da Renânia do Norte-Vestfália e também da CDU. 

“Comigo como chanceler federal, nunca haveria uma coalizão com o partido Die Linke (A Esquerda), algo que não dá para saber com Olaf Scholz”, disse a premiê. “Há uma grande diferença sobre o futuro da Alemanha entre mim e ele”, completou.

“Quero dizer claramente que, para o futuro, e especialmente nesses tempos, são necessárias declarações muito claras sobre a continuação dos trabalhos governamentais.”

Segundo os últimos levantamentos de intenção de voto, o partido de Scholz tem entre 25% e 27,5% de apoio entre o eleitorado alemão. Já a CDU de Laschet está em queda, com 21%.

O problema é que tanto Scholz quanto Laschet  dificilmente conseguirão eleger deputados suficientes para formar um governo de maioria. Dessa forma, quem vencer a eleição terá de negociar uma ampla coalização, que poderá contar com até três legendas. 

Como A Esquerda tem aparecido com até 7% das intenções de voto, sua adesão pode ser valiosa para a próxima administração. 

Fundado por comunistas da antiga Alemanha Oriental, a legenda A Esquerda tem enfrentado críticas por posições consideradas radicais.

Entre as bandeiras levantadas recentemente estão a retirada da Alemanha da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e uma aproximação com a Rússia.

O partido também se absteve de apoiar uma resolução do Bundestag, o Parlamento alemão, de aprovar uma missão de resgate de civis retidos no Afeganistão.