A Polícia Civil indiciou a mãe de Miguel dos Santos Rodrigues, 7 anos, pela morte da criança, em Imbé (Litoral Norte). Ela e sua companheira já estão presas e devem responder por homicídio duplamente qualificado, tortura e ocultação de cadáver. Os crimes têm como agravantes o fato de a vítima ser menor de idade e o uso de meio cruel, dentre outros aspectos.

Há indícios de que o garoto sofria abuso psicológico em casa. Segundo a versão apresentada inicialmente pela mãe, de 27 anos, Miguel foi agredido e dopado com medicamentos, depois lançado no Rio Tramandaí. Mas o corpo até agora não foi encontrado.

A defesa dela diz que a mulher alega inocência e que foi pressionada pela Polícia a assumir algo que não cometeu. Já madrasta do guri admite que sabia do assassinato mas nega envolvimento. Ela alega que, assim como o garoto, sofria abuso psicológico por parte da mãe dele.

O inquérito já foi encaminhado à 1ª Vara Criminal da Comarca de Justiça de Tramandaí. Agora o Ministério Público vai analisar o conteúdo apurado e decidir se denuncia ou não a dupla. Ainda faltam alguns depoimentos e análises de imagens de câmeras de segurança da região, bem como dos telefones das suspeitas.

Neste domingo, bombeiros encerraram o décimo-primeiro dia consecutivo de buscas. O tenente Elísio Lucrécio, do Corpo de Bombeiros, explicou à imprensa que a procura também abrange regiões de orla em cidades como Cidreira, Capão da Canoa e Torres, pois as correntes marítimas podem ter arrastado o cadáver para áreas mais distantes.

Relato

Segundo a investigação, a mulher deu remédios para matar o filho, no final do mês passado. Depois a suspeita teria colocado o corpo da criança em uma mala e lançado na água do Rio Tramandaí. No dia 29, ela foi a uma Delegacia para registrar o suposto desaparecimento do filho, mas entrou em contradição e acabou confessando o crime.

“Com medo de ser vista pela polícia ou testemunhas, ela saiu de casa por ruas de dentro em Imbé, evitando as avenidas principais, para levar o cadáver até o rio”, relatou o delegado Antonio Carlos Ractz.

Trocas de mensagens entre as suspeitas, obtidas pela polícia, revelaram diálogos sobre a compra de uma corrente para amarrar o menino, evitando que ele fugisse. Em um vídeo, a companheira, de 23 anos, aparece “batendo-boca” com a criança amarrada dentro de um roupeiro.