O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado na manhã desta terça-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou uma alta de 0,96% em julho, a maior para o mês desde 2002. O número é superior ao mês anterior, quando a inflação subiu 0,53%. No acumulado de 12 meses, a inflação teve alta de 8,99% e no ano soma elevação de 4,76%.

Em julho, sete dos oito setores monitorados pelo IBGE apresentaram alta de preços. O principal deles foi Habitação, com elevação de 3,1% em julho, quase o triplo do mês anterior, quando o número ficou em 1,1%. A energia elétrica foi o componente que mais pesou no grupo, com alta mensal de 1,95%. Outros fatores que pesaram em Habitação foi o preço do gás de botijão e do gás encanado, além de aluguel residencial, condomínio e taxa de água e esgoto.

Em ordem decrescente, os grupos que mais pressionaram os preços em julho em relação o mês anterior foram Habitação (3,1%) Transportes (1,52%), Artigos de Residência (0,78%), Vestuário (0,53%), Despesas Pessoais (0,45%), Educação (0,18%) e Comunicação (0,12%). A exceção ficou por conta de Saúde e Cuidados Pessoais, que apresentou deflação de 0,65% em relação ao mês anterior.

Estes números são mais um argumento para os analistas preverem uma alta de 1 ponto percentual (p.p.) da Selic na próxima reunião do Copom. A meta do Banco Central para a inflação deste ano está na faixa de 2,25% a 5,25% e na reunião da semana passada, o Copom elevou a Selic em 1 p.p., para 5,25% ao ano. O último Boletim Focus apontou que o mercado já espera a Selic a 7,25% no final de 2021.

A inflação é um fator que preocupa os Bancos Centrais de todo o mundo, uma vez que os preços estão pressionados pela demanda reprimida durante o período de fechamento da economia para conter a Covid-19. Por aqui, porém, fatores domésticos como a seca e a alta cotação do dólar se somam ao risco fiscal e agravam o quadro, pressionam as autoridades de política monetária a subirem os juros.