Entre março de 2018 e fevereiro de 2020, membros de cerca de 40 comunidades indígenas da região de Loreto, no norte do Peru, usaram seus smartphones para receber alertas de desmatamento na Amazônia, verificar as atividades ilegais e acionar as autoridades, caso necessário. Os alertas foram emitidos depois que imagens de satélite registraram mudanças na cobertura florestal, com a ajuda de um algoritmo desenvolvido pela Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. 

O treinamento dos grupos faz parte de um estudo publicado recentemente na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), que tinha como objetivo analisar a efetividade do uso da tecnologia no patrulhamento ambiental feito pelas próprias comunidades. O resultado foi positivo. Segundo os pesquisadores, houve uma queda média de 52% na perda de cobertura de árvores, no comparativo com as comunidades que não participaram do projeto. 

“Caso nossos resultados se sustentem em outro lugar, eles sugerem que programas semelhantes de monitoramento comunitário implementados por povos indígenas em toda a Amazônia podem ajudar a contribuir para o manejo florestal sustentável em uma escala maior”, afirmou Jacob Kopas, co-autor do estudo, em um comunicado. 

A tecnologia se soma aos meios históricos de preservação da floresta amazônica. Outro estudo recente, feito por cientistas da Smithsonian Tropical Research Institute, constatou que, por mais de 5.000 anos, os povos indígenas da região viveram no ambiente “sem causar perdas ou distúrbios detectáveis de espécies”. 

A pesquisa, realizada na região nordeste do Peru, não encontrou evidências de florestas “desmatadas, cultivadas ou de outra forma significativamente alteradas na pré-história”. O estudo ainda apontou que fenômenos como a destruição de terras e as queimadas são relativamente recentes: datam da chegada dos colonizadores europeus. 

Por conta da grande quantidade de dióxido de carbono que absorve — gás que contribui para o aquecimento do planeta —, proteger a Amazônia é considerado uma peça chave na luta contra as mudanças climáticas. Para a coordenadora da pesquisa, Dolores Piperno, o trabalho reforça a ideia de que os conhecimentos indígenas tradicionais são fundamentais para o estabelecimento de um plano de conservação atual.