SÃO PAULO — O principal índice de ADRs (na prática, as ações de empresas de fora dos EUA negociadas em Nova York) do Brasil, o Dow Jones Brazil Titans 20 ADR, abriu em alta nesta terça-feira (7). Os papéis se ajustam ao desempenho positivo das ações na B3 ontem, quando as Bolsas de Wall Street estavam fechadas por causa do feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos. Hoje, foi a Bolsa brasileira que não abriu, devido ao feriado que celebra a Independência do Brasil.

Às 11h25 (de Brasília), o Dow Jones Brazil Titans 20 subia 1,46%, a 19.788 pontos. No mesmo horário, os índices Dow Jones e S&P 500 operavam no vermelho, com quedas de 0,77% e 0,42%, respectivamente. Já o Nasdaq Composite estava perto da estabilidade, com ligeira baixa de 0,04%.

Os investidores de ações brasileiras observam com cautela hoje os protestos que acontecem no Brasil em favor do governo de Jair Bolsonaro. O presidente participa das manifestações em Brasília, que reunia milhares de pessoas na Esplanada dos Ministérios, algumas defendiam pautas antidemocráticas. O movimento tem sido organizado há dois meses, diante de pesquisas que mostram o aumento da rejeição a Bolsonaro no país.

Nos Estados Unidos, a queda das Bolsas refletia a preocupação com a variante delta do coronavírus, e seus possíveis impactos à retomada do mercado de trabalho do país. Na sexta-feira, foi divulgado o relatório de emprego (non farm payrolls) de agosto, que mostrou a criação de 235.000 vagas fora do setor agrícola.

No geral, analistas apontaram que, embora não tenham sido criadas vagas na área de lazer e hotelaria no mês passado, os salários aumentaram. Mesmo assim, veem como um indicador de que a variante delta é a principal causa para a decepção no emprego, e não uma mudança nas necessidades de contratação do setor.

A expectativa é de que a retomada do mercado de trabalho e da economia dos EUA continue com a vacinação em prática no país, e analistas esperam que o Federal Reserve, o banco central americano, comece a retirar estímulos ainda em 2021.

Os estrategistas do Barclays elevaram seu preço-alvo S&P 500 de fim de ano de 4.400 pontos para 4.600 pontos. “Não acreditamos que o início da redução levará a uma venda significativa do mercado”, disseram os estrategistas do Barclays em relatório.

Protestos no Brasil

Em discurso a apoiadores durante manifestações em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que não aceitará que qualquer autoridade passe por cima da Constituição Federal.

O recado era direcionado ao ministro Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que não foi nominalmente citado. O magistrado é relator do inquérito das Fake News e tem proferido decisões contrárias a aliados do mandatário.

“Nós não mais aceitaremos que qualquer autoridade, usando a força do poder, passe por cima da nossa Constituição. Não mais aceitaremos qualquer medida, qualquer ação ou qualquer sentença que venha de fora das quatro linhas da Constituição”, afirmou Bolsonaro do alto de um carro de som, na Esplanada dos Ministérios.

“Nós também não podemos continuar aceitando que uma pessoa específica da região dos Três Poderes continue barbarizando a nossa população. Não podemos aceitar mais prisões políticas no nosso Brasil”, continuou.

Durante o breve discurso, Bolsonaro também fez uma ameaça velada, exigindo que o ministro Luiz Fux (também não citado nominalmente), presidente do Supremo Tribunal Federal, tome providências.

“Ou o chefe deste Poder enquadra o seu ou esse Poder pode sofrer aquilo que nós não queremos. Porque nós valorizamos, reconhecemos e sabemos o valor de cada Poder da República”, disse, sem entrar em detalhes.

Sob gritos de “fora, Alexandre” de apoiadores, concluiu: “Nós todos aqui, na Praça dos Três Poderes juramos respeitar a nossa Constituição. Quem age fora dela se enquadra ou pede para sair”.

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