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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em forte alta de 2,33% nesta terça-feira (24), acima dos 120 mil pontos, voltando ao nível em que operava no dia 13 deste mês, ou seja, antes da sequência de quedas na semana passada provocadas pelo aumento das incertezas no cenário macro, que somaram crise institucional, ruído fiscal, sinais de redução de estímulos pelo Federal Reserve e proliferação global da variante delta do coronavírus.

Hoje, o benchmark da B3 seguiu o dia mais um dia positivo para os mercados no exterior, alta das commodities e também as novidades no noticiário político local.

O evento Expert XP 2021 contou com as falas de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados, durante a manhã. Lira descartou a possibilidade de votação da reforma do Imposto de Renda esta semana, algo que agradou aos investidores que são contrários ao texto como está hoje, além de reforçar o compromisso com o fiscal.

Já o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse em almoço com representantes do segmento de TV e rádio que o Senado não irá aderir a uma reforma que “só amplia impostos”.

Também no radar, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, aprovou por 21 votos a 6 a recondução de Augusto Aras para o comando da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Depois do fechamento, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, fala, também pela Expert, sobre os rumos da política monetária no Brasil.

Lá fora, os índices dos Estados Unidos avançaram com os investidores seguindo o ânimo pela aprovação completa da vacina da Pfizer pela agência reguladora do país, a FDA.

Os investidores também ficaram no aguardo pelo simpósio de Jackson Hole no fim da semana, em que autoridades do Federal Reserve, o banco central americano, devem detalhar seus planos para a redução de estímulos monetários.

O Fed iniciou discussões para desacelerar seu programa bilionário de compra de títulos no final de 2021, que vem injetando cerca de US$ 120 bilhões mensalmente nos mercados. O presidente do Fed, Jerome Powell, realiza um discurso na sexta.

Enquanto isso, o pregão foi positivo na China, com a retomada da posição dos investidores para ações do setor de tecnologia, depois do cerco do governo ter pressionado os preços dos ativos.

As commodities também tiveram uma sessão de alta, trazendo um alívio para o mercado depois das quedas recentes, principalmente o minério de ferro, que tem pressionado a Vale e siderúrgicas nos últimos dias. Os contratos futuros do minério negociados na bolsa de Dalian tiveram alta de 6,17%, cotados a 817,5 iuanes, equivalente hoje a US$ 126,1 por tonelada. As ações da Vale (VALE3) dispararam 3,7%.

O petróleo também teve mais um dia de forte valorização depois de subir 4% ontem. O barril do Brent – usado como referência pela Petrobras (PETR3; PETR4) – teve alta de 3,35% a US$ 71,05. Os papéis da estatal registraram ganhos de 2,1%.

O Ibovespa registrou alta de 2,33%, a 120.210 pontos com volume financeiro negociado de R$ 29,515 bilhões. Foi o maior avanço do benchmark em uma única sessão desde o dia 28 de janeiro, quando o índice subiu 2,59%.

Enquanto isso, o dólar comercial caiu 2,23% a R$ 5,261 na compra e a R$ 5,262 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro registra baixa de 2,29% a R$ 5,264 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu três pontos-base a 6,70%, DI para janeiro de 2023 teve queda de 12 pontos-base a 8,43%, DI para janeiro de 2025 recuou 21 pontos-base a 9,59% e DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de 23 pontos-base a 10,00%.

As bolsas asiáticas fecharam a terça-feira em alta, também impulsionadas pela aprovação definitiva da vacina desenvolvida em parceria entre Pfizer e BioNTech, com destaque positivo para a bolsa de Hong Kong.

Os índices também foram afetados por reportagem da agência internacional de notícias Reuters informando que a a Securities and Exchange Commission (SEC, equivalente a CVM nos EUA) começou a emitir novos requisitos de divulgação para empresas chinesas que buscam se listar em Nova York como parte de um esforço para aumentar a consciência dos investidores sobre os riscos envolvidos.

Algumas empresas chinesas já começaram a receber instruções detalhadas da SEC, que regula o mercado de capitais nos EUA, sobre uma maior divulgação de seu uso de veículos offshore conhecidos como entidades de interesse variável (VIEs) para IPOs; implicações para os investidores e o risco de que as autoridades chinesas interfiram nas operações da companhia.

No mês passado, o presidente da SEC, Gary Gensler, pediu uma “pausa” nas ofertas públicas iniciais (IPOs) norte-americanas de empresas chinesas e buscou mais transparência sobre essas questões.

Já na Europa, segundo dados divulgados nesta terça pelo Escritório Federal de Estatísticas, o PIB ajustado para efeitos sazonais da Alemanha cresceu 1,6% no segundo trimestre. O avanço superou por pouco a estimativa anterior do órgão, de alta de 1,5%.

Além disso, a agência internacional de notícias Reuters informou que o G7, que reúne as sete maiores economias de países desenvolvidos do mundo, deve se reunir nesta semana para obter uma decisão unificada sobre reconhecer ou não o governo do Taleban no Afeganistão, ou se devem ser impostas sanções à organização.

Covid, vacinação e CPI

Na segunda (23), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 766, queda de 15% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 370 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.186, o que representa queda de 10% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 15.364 casos.

Chegou a 122.830.226 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 58,01% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 55.939.618 pessoas, ou 26,42% da população.

Na segunda-feira, a prefeitura do Rio de Janeiro informou que vai iniciar a aplicação da terceira dose de vacinas contra Covid-19 em idosos a partir de setembro seguindo uma recomendação do conselho científico do município.

A recomendação dos especialistas é de que a terceira dose ou dose de reforço seja da Pfizer ou da AstraZeneca, independentemente de qual vacina foi aplicada como primeira dose.

O calendário dessa terceira dose em idosos ainda vai ser divulgado com as datas. O município pretende aplicar o reforço entre setembro em novembro de forma escalonada, ou seja, dos mais velhos para os menos idosos.

​​A cidade e o Estado são o epicentro da variante Delta no país e o Estado já registrou mais de 61 mil mortes por Covid-19.

Além disso, em entrevista a uma rádio do Vale da Ribeira (SP) na segunda, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que irá pedir ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, uma data para que o uso de máscaras como proteção contra a Covid-19 deixe de ser obrigatório no país.

Ele lembrou que já havia pedido um estudo ao ministro sobre o tema e repetiu que, com a maior parte da população vacinada ou que já teve Covid-19 as máscaras não seriam mais necessárias. A obrigatoriedade do uso de máscaras é uma decisão de Estados e municípios, e não da União.

Apesar de pessoas vacinadas terem risco menor de hospitalizações e morte, elas continuam a propagar o vírus, o que arrisca especialmente aqueles não vacinados ou com sistema imunológico mais frágil. E aumenta a probabilidade de que o vírus sofra mutações que podem reduzir a eficácia das vacinas disponíveis.

Nesta terça, a CPI da Covid no Senado ouve o empresário Emanuel Catori, diretor-presidente da Belcher Farmacêutica, que se apresentava como representante do laboratório chinês CanSino, fabricante da vacina Convidecia, em negociações com o governo brasileiro. Catori obteve no Supremo Tribunal Federal (STF) o direito de não responder a questionamentos com potencial de incriminá-lo.

Vaga no STF e tensão entre os poderes

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou na segunda que o pedido de impeachment apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro contra Alexandre de Moraes estabelece um retrocesso nos esforços de apaziguar a crise institucional entre os Poderes da República.

Em reunião na manhã de segunda, em Brasília, governadores decidiram pedir um encontro com o presidente Jair Bolsonaro para tentar a abertura de um diálogo que melhore o ambiente no país, diante do clima de tensão entre o Executivo e Judiciário e as constantes ameaças de ruptura.

“A intenção é solicitar uma agenda com o presidente onde o objetivo é demonstrar a importância de o Brasil ter um ambiente de paz, de serenidade, onde possamos garantir uma forma de valorização da democracia, mas principalmente criar um ambiente de confiança que permita atração de investimentos, geração de empregos e renda”, disse Wellington Dias (PT) em entrevista depois da reunião.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que tem um bom relacionamento com Bolsonaro, reafirmou a intenção de que os governadores sejam recebidos.

Na segunda, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afastou um comandante da Polícia militar por convocar para o ato bolsonarista marcado para 7 de setembro, com pauta a favor do voto impresso e contra ministros do STF. Reportagem de capa do jornal O Globo desta terça afirma que em sua reunião, governadores demonstraram preocupação com o risco de ação política das Polícias Militares dos estados. Segundo o jornal, a inteligência da polícia paulista detectou convocações do tipo também em outros estados, com estímulo para que manifestantes compareçam armados.

Já no radar econômico, o governo teria a percepção de que o parcelamento dos precatórios deve sofrer resistência e não passar no Congresso. Com isso, é estudado um plano B, que consistiria na retirada do teto de gastos de R$ 30 bilhões de precatórios que estariam acima do previsto para 2022. Também não está descartada a hipótese de retirar completamente a despesa com precatórios do teto e recalcular seu limite desde a origem, destaca reportagem do Estadão.

Matéria do Valor aponta ainda que, se os processos de privatização avançarem, precatórios da União poderão ser utilizados como moedas para comprar ações. Em tese, essa possibilidade estaria presente nas desestatizações da Eletrobras e dos Correios, disse ao jornal uma fonte da área econômica.

Radar corporativo

O noticiário corporativo tem como destaque o noticiário de Petrobras, Cosan e Vitru. Confira os destaques:

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
CYRE3 12.32801 20.41
LAME4 11.80952 5.87
GOLL4 10.96704 20.54
EZTC3 10.60787 27.84
AMER3 9.69388 43

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
JBSS3 -3.2622 31.73
RADL3 -2.64151 25.8
PCAR3 -2.08678 29.56
VVAR3 -1.85841 11.09
HYPE3 -1.47267 34.79

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras informa que iniciou na segunda-feira a produção de petróleo e gás natural do FPSO Carioca, primeira plataforma no campo de Sépia, no pré-sal da Bacia de Santos.

A FPSO Carioca (unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo e gás), que é afretada junto à Modec, possui capacidade de processamento diário de até 180 mil barris de óleo e de comprimir até 6 milhões de metros cúbicos de gás natural, segundo comunicado ao mercado. Está localizada a 200 km da costa do Estado do Rio de Janeiro, a 2.200 metros de profundidade.

Cosan (CSAN3)

A Cosan anunciou na segunda-feira uma nova estratégia de investimentos por meio de uma estrutura de fundos, através da qual realizará aportes com recursos próprios e eventualmente de terceiros em novos negócios, conforme fato relevante divulgado ao mercado.

O movimento já inclui, segundo a empresa, a apresentação de uma proposta vinculante para a aquisição de 100% do TUP São Luís, terminal portuário de uso privado localizado na capital do Maranhão, por 720 milhões de reais, além da formação de uma joint venture no setor de mineração.

A oferta pelo porto foi enviada pela Atlântico – controlada da Cosan – à São Luís Port Company, da chinesa CCCC, e aos acionistas minoritários que somam participação de 49% no terminal, disse a empresa. O fechamento da operação está sujeito a condições precedentes, como aprovações regulatórias e concorrenciais, bem como a aprovações societárias da CCCC.

Vitru (NASDAQ: VTRU)

A Vitru, dona da Uniasselvi, fechou na segunda a compra da UniCesumar por um valor que pode chegar a até R$ 3,5 bilhões. Fundada em Maringá (PR), a Cesumar reúne cursos de ensino a distância com nota máxima no MEC (Ministério da Educação) e graduação de medicina.

IPOs

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou nesta segunda-feira (23) o indeferimento do pedido de registro de companhia aberta pela Havan, mas por desistência voluntária da varejista. Com isso, a companhia adiou pela segunda vez os planos de uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

Em nota após a informação constar no site da CVM, a Havan informou que o indeferimento foi devido à desistência voluntária que se deu em 12 de maio. “Por ora, a Havan adia a intenção de realizar sua oferta inicial de ações, que será retomada em momento oportuno e devidamente informada”, afirmou a companhia em nota. Veja mais clicando aqui. 

Além disso, a Cerradinho Bioenergia, com sede em Goiás, pediu registro para uma IPO em busca de recursos para financiar um projeto de etanol de milho no Mato Grosso do Sul. O projeto deve envolver investimento total de cerca de R$ 1,4 bilhão, com as obras devendo começar no primeiro semestre de 2022 e entrando em operação em setembro de 2023, afirmou a companhia no documento.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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