A multinacional chilena de papel e celulose CMPC anunciou que investirá R$ 2,75 bilhões na modernização de sua planta industrial no município de Guaíba (Região Carbonífera do Rio Grande do Sul), antigamente ocupada pela  Borregaard e depois Riocell. Denominado “BioCMPC”, o projeto prevê 31 melhorias em processos de gestão, controles ambientais e ampliação da capacidade produtiva.

“É uma iniciativa da bioeconomia que nasce com o nosso propósito, renovado algum um tempo atrás, que é o de criar, conviver e conservar”, afirma o diretor-geral da CMPC no Brasil, Mauricio Harger. “É a nossa contribuição para a prática ESG, sigla que se refere a aspectos ambientais, sociais e de governança de uma empresa.”

As medidas de gestão ambiental estipuladas pela iniciativa abrangem montagem de nova estação de monitoramento da qualidade do ar, instalação de nova caldeira de recuperação (que reduzirá em até 60% a emissão de gases do efeito-estufa), um novo precipitador eletrostático (a fim de ampliar para 99% a eficiência de retenção de material particulado) e um novo centro de controle ambiental com funcionamento em sistema 24 horas.

“O objetivo é acompanhar todas as nossas operações, para prevenir qualquer tipo de interferência e incômodo para a comunidade e qualquer tipo de desvio dos parâmetros ambientais da nossa licença”, acrescenta o executivo da multinacional.

As iniciativas para modernização da operação incluem a instalação de novos equipamentos, melhorias e ampliações, além de um trabalho para a redução do volume gerado de resíduos industriais. Mauricio Harger prossegue:
“Consequência disso é um aumento de capacidade de 18% versus o volume que a gente vem fazendo nos últimos 12 meses, o que equivale a 350 mil toneladas de capacidade adicional”.

Próximos passos

O projeto deve ter a sua implementação iniciada em setembro. Serão mais de dois anos de obras, período durante o qual a CMPC estima a geração de quase 3.700 empregos diretos ou indiretos, além de outros 3.850 oportunidades de trabalho induzidas na economia, em um total de 7.530 postos.

A empresa também realizará um programa de formação e contratação com as metas de utilizar 70% de mão-de-obra local e 50% de fornecedores locais. O diretor-geral da empresa detalha que a ideia é aproveitar ao máximo a capacidade existente no Rio Grande do Sul:

“Estamos também com um programa de formação de mão de obra na região de Guaíba. Principalmente de construção civil, montagem mecânica, estamos prevendo 900 posições de treinamento para que os fornecedores possam chegar na cidade de Guaíba e contar com um banco de profissionais treinados recentemente”.

Ele conclui explicando que o plano envolve o reaproveitamento dos resíduos gerados na obra, para transformação em novos produtos:

“O resultado pós-implementação do projeto BioCMPC é a nossa unidade se tornando uma das unidades de produção de celulose mais sustentáveis do Brasil, quando olhamos as questões de gestão de resíduos, tratamento de efluentes, emissões atmosféricas, tratamento de gases e gestão ambiental”.