Em sessão tumultuada, vereadores começam a discutir extinção gradual da função de cobrador de ônibus em Porto Alegre

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A polêmica que envolve o projeto da prefeitura para extinção da função de cobrador de ônibus em Porto Alegre teve mais um capítulo na tarde desta quarta-feira (1º), com a entrada do assunto na pauta da Câmara de Vereadores. Em uma sessão tumultuada, um grupo de trabalhadores do transporte público foi impedido pela Guarda Municipal de entrar no Plenário.

Um dos agentes da corporação lançou spray de pimenta contra os manifestantes, um dos quais acabou ferido no olho e precisou ser atendido no ambulatório do Legislativo. Em meio ao tumulto, o presidente-em-exercício da Casa,  Idenir Cecchim (MDB), ordenou que um dos representantes dos rodoviários fosse retirado das galerias.

A sessão legislativa foi suspensa por aproximadamente uma hora. Durante esse tempo, uma negociação entre vereadores da situação e da oposição resultou no sinal-verde a um grupo de aproximadamente 15 rodoviários acompanhasse a sessão no Plenário, desde que sentados.

Insatisfação

Na avaliação de representantes dos rodoviários, a atitude de barrar a categoria é uma estratégia de parlamentares da base de apoio do Executivo para discutir o tema “a portas fechadas”. A categoria é contra o fim dos cobradores e outras propostas, como a privatização da Companhia Carris e o fim das gratuidade das passagens nos coletivos.

Na segunda-feira (30), o presidente do Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre, Sandro Luis Vieira Abadde, utilizou a tribuna popular da Câmara de Vereadores para discursar contra os projetos do Executivo em tramitação na Casa.

Ele disse que a categoria está disposta a dialogar com a prefeitura, mas manifestou preocupação com a falta de informações sobre o destino da categoria após a privatização da Carris. Também pediu que a votação do projeto seha adiada por seis meses.

“Pedimos aos vereadores que convençam o prefeito a dar prazo até fevereiro para esclarecer melhor o que será feito com os trabalhadores”, ressaltou. “Eles estão nervosos e terão que entrar em uma guerra para defender seus empregos e famílias.”

Paralisação

Na mesma ocasião, o líder sindical anunciou para esta quinta-feira (2) uma nova paralisação de atividades da Companhia, que segundo ele não está sucateada e possui a melhor frota de ônibus do transporte público de Porto Alegre – diferente do que dizem alguns dos adeptos da ideia da privatização.

“É muito injusto o que está acontecendo”, lamentou. “Era para Câmara de Vereadores estar lotada de rodoviários, podendo olhar nos olhos e e questionar o prefeito sobre que vai ser deles. Somos os primeiros a acordar, os últimos a dormir e estamos cansados desta perseguição pelas administrações municipais”.

(Marcello Campos)