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SÃO PAULO – Pesquisadores brasileiros da Fiocruz Amazônia identificaram uma nova linhagem do SARS-CoV-2, vírus que causa a Covid-19, como origem no estado do Amazonas. A variante encontrada já havia sido identificada no pelo governo japonês em quatro viajantes que vinham do Brasil que foram impedidos de entrar no país.

Segundo os resultados das pesquisas, essa nova cepa parece ser mais infecciosa do que a linhagem padrão do coronavírus. Em entrevista ao UOL, Felipe Naveca, pesquisador da Fiocruz Amazônia, explicou que a nova variante do coronavírus, chamada de B.1.1.28, sofreu uma série de mutações na chamada proteína Spike, parte do vírus que é responsável por penetrar e infectar as células humanas.

O pesquisador ainda aponta que essa nova linhagem já deve estar presente em todo o Brasil e que o vírus deve ter sofrido diversas mutações. Segundo ele, mutações por si só não representam que uma nova variante é mais infecciosa. Porém, segundo a pesquisa, duas importantes mutações foram descritas simultaneamente na proteína Spike.

Como já foi detectado nas variantes do Sars-CoV-2 encontradas no Reino Unido e na África do Sul, mutações na proteína Spike podem tornar o vírus mais transmissível. Para o pesquisador, as recentes mutações que estamos presenciando ao redor do mundo mostram que o vírus está passando por importante processo evolutivo.

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“As análises mostraram que essa mutação separadamente já trazia vantagem para o vírus [se transmitir mais]. Essas mutações preocupam bastante, e precisamos de mais tempo e análises para saber realmente se ele está associado a esse maior poder de transmissão”, explicou o pesquisador.

Naveca ainda conta que a identificação da nova variante em tão pouco tempo só foi possível graças a colaboração conjunta de pesquisadores brasileiros e internacionais. Como explicou o cientista, o sequenciamento do vírus feito no Japão foi comparado com as amostras existentes no banco de dados do Amazonas coletadas entre abril e novembro do ano passado.

Com os dados postados pelos cientistas japoneses, uma pesquisa conduzida em parceria entre cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Oxford conseguiu identificar as semelhanças nas mutações encontradas no Japão e no vírus que atualmente circula no Amazonas.

“Essas análises também observaram sequências com mutações semelhantes às japonesas. São dois laboratórios completamente independentes, que chegaram à mesma conclusão simultaneamente, sem se comunicarem. O fato de o grupo ter nos mostrado esse resultado foi uma atitude louvável”, explica.

Por fim, Naveca explica que ainda não está definido que a mutação identificada será reconhecida como uma variante brasileira, já que essa classificação depende de uma curadoria internacional e de estudos mais aprofundados sobre o vírus.

Brasileiros infectados barrados no Japão

A descoberta dos cientistas brasileiros ocorre dias após o governo japonês barrar a entrada de quatro turistas vindos do Brasil. No último domingo (10), o Ministério da Saúde do Japão emitiu um alerta para as autoridades de saúde internacionais para informar que o vírus identificado era de uma nova variante da doença.

“No momento, não há provas de que a nova variante encontrada seja altamente infecciosa”, disse Takaji Wakita, chefe do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas, em um comunicado do Ministério da Saúde.

Ainda de acordo com o ministério japonês, quatro viajantes brasileiros chegaram ao aeroporto Haneda, em Tóquio, no último dia 2 janeiro e testaram positivo para o novo coronavírus. Dois adultos no grupo de turistas, um homem de 40 anos e uma mulher na casa dos 30, e um adolescente apresentavam alguns sintomas, como dor de cabeça e febre.

Amazonas vive explosão de casos

Em meados de maio de 2020, alguns meses após a chegada da Covid-19 no Brasil, o Amazonas vivia uma situação caótica em relação a epidemia, com o sistema de saúde do estado colapsando e o serviço funerário da capital totalmente afogado.

Segundo os números coletados pelo o consórcio de veículos de imprensa junto as secretárias estaduais de saúde, o Amazonas soma 216.112 infectados e 5.756 vítimas fatais

Menos de um ano depois, o estado enfrenta novamente uma alta preocupante no número de casos e mortes em decorrência da Covid-19. O número de internações no início de janeiro, por exemplo, já superou o total de hospitalizações registradas durante todo o mês de dezembro do ano passado, quando 1.371 pessoas foram internadas com a doença.

Na última segunda-feira (11), o estado bateu o recorde de hospitalizações diárias desde o início da pandemia, com 250 novas internações em 24h.

Já no domingo (10), Manaus, capital do estado, bateu o recorde de enterros diários desde o início da pandemia, enquanto hospitais da capital voltaram a lotar por conta de um novo surto da doença. Eduardo Pazuello, ministro da Saúde, esteve em Manaus e disse que estuda priorizar a vacinação na cidade.

Na entrevista ao UOL, Naveca afirma que é cedo para concluir se o novo surto amazonense guarda relação com a B1.1.28, uma vez que o estado pode estar sofrendo os reflexos dos protestos de dezembro contra o fechamento do comércio e das aglomerações em festas de fim de ano.

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