A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, tem trabalhado para que o ex-deputado federal Roberto Jefferson, preso no âmbito do inquérito que investiga milícias digitais responsáveis por ataques à democracia, tenha a sua saúde preservada na prisão, onde está desde o dia 13 de agosto. Atualmente, ele se encontra em uma unidade do complexo de Bangu, no Rio de Janeiro.

Segundo a pasta, o ministério “desde as últimas semanas articula com várias instituições pela preservação da saúde do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, que se encontra preso no Rio de Janeiro, em razão de sua condição de idoso”.

A direção nacional do PTB já havia denunciado a prisão de Jefferson à Corte Interamericana de Direitos Humanos, sediada na Costa Rica, alegando que ele está preso por crime de opinião, que a prisão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, é ilegal e que ele não teve acesso aos autos.

A intervenção de Damares vem sendo cobrada por deputados bolsonaristas, como Bia Kicis (PSL-DF), que publicou no Twitter que a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, ligada ao ministério de Damares, está trabalhando para que Jefferson “receba cuidados devidos”. A informação, de acordo com ela, teria sido dada por Damares. A parlamentar também destacou a idade avançada do ex-deputado e a pandemia de Covid-19.

Os bolsonaristas tentam ainda mobilizar o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres. “É necessário que ele (Roberto Jefferson) seja transferido para o hospital e que a sua esposa, que é enfermeira, possa vê-lo. Estou em contato com os ministros Damares Alves e Anderson Torres para tentar ajuda”, escreveu o deputado Filipe Barros (PSL-PR).

Depois de ter uma mal-estar gástrico na última segunda-feira, 30, Jefferson foi conduzido para uma UPA, onde fez exames e foi medicado. No mesmo dia ele recebeu alta e voltou para o presídio. Também no início da semana, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o presidente nacional do PTB

O ministro Alexandre de Moraes negou o pedido de prisão domiciliar a Jefferson na última terça-feira, 31. Segundo o magistrado, a defesa não conseguiu comprovar a fragilidade do quadro de saúde do ex-deputado e que, fora do presídio, a sua prática criminosa não seria interrompida, nem seriam evitadas possíveis interferências nas investigações. Após a decisão, a defesa tentou um habeas corpus que foi negado pelo ministro Edson Fachin, que também manteve a ordem de prisão preventiva.