O incêndio florestal Dixie, na Califórnia, se tornou o maior da história do estado e já foi responsável por produzir fumaças que encobriram boa parte da Costa Oeste do país. Iniciado em 13 de julho, o fogo já atingiu mais de 490.000 acres e apenas 21% das chamas já foram contidas. 

De acordo com o Departamento Florestal de Incêndios californiano (Cal Fire), o terreno íngreme, a vegetação e o clima secos formaram uma combinação perfeita para o fogo se propagar em um nível sem precedentes. Pesquisadores no entanto, afirmam que as condições não são anomalias, mas sim frutos da ação humana. 

As secas, o calor extremo e os grandes incêndios já são considerados devastadores por si só. Porém, quando acontecem simultaneamente, os efeitos são ainda mais potencializados. Segundo os cientistas, essas condições acontecerem de maneira conjunta tem sido cada vez mais frequente no oeste dos Estados Unidos e a mudança climática é a principal causa. 

A seca e o fogo já fazem parte da rotina da região, porém o aumento do calor diretamente relacionado à ação humana está amplificando esses fenômenos. Aliado a isso, os incêndios iniciados propositalmente e a expansão das comunidades em áreas florestais fazem com que as chamas fiquem cada vez mais difíceis de serem controladas.

Em 2020, 4,2 milhões de acres foram queimados em todo o estado da Califórnia, número quase três vezes maior do os 1,6 milhões em 2018. Segundo o Cal Fire, a quantidade de área queimada neste ano já é três vezes maior em comparação com o mesmo período do ano passado e cientistas estimam que essa tendência deve seguir nos próximos anos. 

A neve acumulada é vista como fundamental para todo o ecossistema da região. Plantas, animais e pessoas dependem da neve acumulada para alimentar sistemas de água com menos disponibilidade. Com as altas temperaturas, a precipitação cai em forma de chuva, prejudicando rios, riachos e reservatórios no processo. 

Além disso, o calor remove a umidade da paisagem, fazendo com que plantas e animais necessitem de mais água, ocasionando maior escassez. Os solos secos irradiam e refletem a energia do sol que, de outra forma, seria usada na evaporação. Isso eleva ainda mais as temperaturas da superfície. À medida que a região fica mais quente e seca, aumenta o risco de pequenas faíscas rapidamente se transformarem em grandes incêndios florestais.

Novas pesquisas sugerem que esses grandes incêndios podem potencializar ainda mais a seca e o calor, uma vez que está sendo trabalhada a hipótese de que as fumaças e os aerossóis produzidos por eles podem alterar os padrões climáticos de determinado local. Já existem estudos que relacionam a formação das chamas com o baixo nível de precipitação, ao mesmo tempo que já é esperado um aumento na frequência desses eventos nos próximos 30 anos.

As tendências já estão sendo sentidas em todo os EUA. De acordo com o Monitor de Secas do país, metade do território americano está sob seca, com mais de 88% do estado da Califórnia na categoria “seca extrema”. Além disso, uma série de estações climáticas ao longo do oeste registraram recorde de temperaturas nos meses de junho e julho devido às ondas de calor.  

Alguns ecossistemas também estão sentindo a diferença no clima. Relatórios apontam que mais de 150 milhões de árvores e bilhões de criaturas que viviam ao longo da Costa Oeste foram mortas durante o último período de seca. Cientistas afirmam que ainda há o que ser feito para mudar o cenário, porém essas mudanças precisam acontecer o quanto antes. 

De acordo com Park Williams, cientista climático da Universidade da Califórnia em Los Angeles, o aumento da frequência e da intensidade dos incêndios que já está em curso provavelmente irá mudar a paisagem de todo o estado, que passará a ficar mais árida. 

Ainda de acordo com ele, as árvores da região não evoluíram para conseguir repovoar as lacunas que estão sendo deixadas tão rapidamente. Desse modo, as grandes florestas podem ser substituídas cada vez mais por pastagens, matagais e desertos.