Foi uma semana das mais difíceis. Houve muitas crises entre os poderes, que culminou com o pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Houve generais negando os fatos inegáveis da História, operação da Polícia Federal contra seguidores radicais do presidente, oscilações no mercado financeiro e, de novo, o temor de aumento das mortes, agora por conta da variante delta do coronavírus. 

Nesta semana cheia, o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, que chegou para ser “amortecedor do governo”, informou que havia mais uma crise na gestão. O curioso é que ninguém estava falando dela, até porque há muito sobre o que se falar neste governo.

Ciro Nogueira foi ao twitter, na sexta-feira à noite, logo depois da nota do STF contra a decisão do presidente Bolsonaro, supostamente para negar uma crise. Só que acabou informando uma nova fonte de problemas. “Eu disse que ia ser um amortecedor. Mas agora fala o extintor de incêndios: parem de  inventar fagulhas que não existem. Responsabilidade, por favor. Não existe nenhuma, repito, nenhuma crise entre o presidente Bolsonaro e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto”, disse o ministro-chefe da Casa Civil.

“Não vamos jogar gasolina na fogueira. Sobretudo gasolinas que não existem em fogueiras imaginárias. Dou meu testemunho de que a relação do governo com o BC é excelente, que a autonomia da autoridade monetária é um avanço histórico e irreversível”, completou.

Esta coluna lembrou, em agosto, que, com tantos solavancos deste governo, ataques à constituição e a ministros do STF, talvez o amortecedor que ele se propôs a ser… não resistisse. O que era difícil prever é que aquele que se dizia amortecedor seria o responsável por revelar outro foco de problema para o qual ninguém da imprensa estava olhando com a devida atenção.