SÃO PAULO – Um pouco mais de um mês após a sua estreia na Bolsa, em 15 de julho, até a última sexta-feira (20), os papéis da Companhia Brasileira de Alumínio, CBA (CBAV3), ficaram praticamente de lado, passando por uma queda de 1,8% no período (indo de R$ 11,20 para R$ 11).

Contudo, a produtora de alumínio pertencente ao grupo Votorantim teve a cobertura iniciada por três casas de análise com uma visão positiva – e com os analistas vendo um potencial de alta de até 73% para os ativos. Dentre os motivos para enxergarem alta nas ações, estão o valuation descontado e o bom posicionamento da companhia para a “transformação verde”.

Tanto a XP quanto o BBI possuem recomendação de compra ou equivalente à compra (outperform no caso do BBI, ou desempenho acima da média do mercado) com preço-alvo de R$ 19, uma alta de 73% em relação ao fechamento de sexta-feira. Nesta segunda-feira, às 13h50 (horário de Brasília), os ativos CBAV3 subiam 2,09%, a R$ 11,23.

Fundada em 1941, a Companhia Brasileira de Alumínio é líder em participação de mercado nos principais segmentos em que atua no setor de alumínio no Brasil, com foco estratégico em produtos de alto valor agregado e margens. A CBA é uma produtora totalmente integrada em toda a cadeia de valor do alumínio. A XP destaca que ela é a única empresa na América Latina com um portfólio completo de produtos de alumínio e um mix de produção altamente flexível.

Yuri Pereira, Thales Carmo e Marcella Ungaretti, analistas da XP que assinam o relatório sobre CBA, destacam quatro principais pilares da tese são: (i) mudanças estruturais do perfil de consumo – em um mundo mais sustentável – devem aumentar a demanda por alumínio e colocar desafios ao fornecimento, devido à atual matriz energética da China (carvão), (ii) projetos de expansão em linha com as tendências de mercado; (iii) valuation atrativo, pois veem a CBAV3 sendo negociada a 3,3 vezes a relação entre o valor da empresa e o Ebitda (EV/Ebitda) esperado para 2022, abaixo da média dos pares entre 4 vezes (produtores de alumínio primário) e 6,5 vezes (alumínio secundário); e (iv) também por conta do forte posicionamento ESG (alinhado às melhores práticas de meio ambiente, social e governança corporativa).

“Os preços do alumínio sobem 30% no acumulado do ano (US$ 2.569 por tonelada) com a demanda global por metais intensificada, especialmente na China. Esperamos que o consumo de alumínio permaneça alto, pelo menos no curto prazo, à medida que os países reabram gradualmente suas economias”, apontam os analistas.

Eles veem a mudança estrutural para alternativas mais verdes como o principal motivador para o avanço da indústria, uma vez que o metal se destaca como um dos mais ecológicos do planeta e o material mais reciclado dentre os metais industriais, em uma base percentual.

Nesse sentido, a CBA tem um plano completo de expansão para os próximos anos, considerado no modelo de análise. A XP destaca o Projeto Rondon, um greenfield que vai explorar bauxita de alta qualidade a custos competitivos, com capacidade anual de 4,5 milhões de toneladas por ano (mtpa). O projeto de aumento da produção de alumínio é outro destaque.

Além disso, em conformidade com a estratégia ESG, a empresa tem um projeto de melhoria contínua das instalações de reciclagem, adicionando até 50 mil toneladas por de capacidade com o investimento em uma nova linha de tratamento de sucata, apontam os analistas.

“O modelo de negócios na oferta de alumínio de baixo carbono da CBA, somado aos altos padrões ESG da companhia, nos levam a ver a empresa se destacando em relação aos seus pares, estando estrategicamente posicionada para o futuro”, ressaltam.

O Bradesco BBI também destaca que a tese de investimento na empresa se baseia em custo baixo de energia renovável e da bauxita, boas tendências globais de descarbonização, crescimento de projetos de crescimento com baixo custo e uma perspectiva positiva para os preços do alumínio.

O banco prevê que o preço do alumínio chegue a US$ 2.500 por tonelada em 2022, a US$ 2.300 por tonelada em 2023 e a US$ 2 mil a tonelada no longo prazo, enxergando tendências estruturais sólidas por conta de demanda de veículos elétricos, substituição do plástico, projetos de energia renovável, prédios “verdes” e com estrutura mais leve e exigências de descarbonização.

O banco também enxerga preços com desconto injustificado em relação a outras empresas do setor. Já entre os riscos, o BBI cita a possibilidade de preços de alumínio mais baixos do que o esperado, o que poderia ocorrer se a demanda da China não correspondesse à expectativa ou se a economia do Brasil piorasse, impactando a demanda interna.

Já o Bank of America tem um preço-alvo mais baixo frente as duas outras casas, de R$ 16, mas ainda representando um potencial de valorização de 45% em relação ao fechamento de sexta. A recomendação para o papel também é de compra.

Leonardo Neratika, Guilherme Rosito e Michael Widmer, analistas do banco americano, reforçam a visão de que a companhia opera em um modelo de baixo custo e com integração das produções de bauxita e alumínio, o que complementa a exposição à matriz de energias renováveis.

Além disso, também reforçam o bom posicionamento da companhia em relação à “transformação verde”, levando a um cenário de tendências positivas para a demanda de alumínio. Enquanto isso, a oferta deve seguir limitada, ocasionando déficit no mercado.

Com relação ao valuation, os analistas estimam as ações negociadas atualmente a um múltiplo de 3,1 vezes seu valor de mercado sobre a projeção de Ebitda para 2022, o que é visto como atrativo pelos analistas.

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