O Primeiro-Ministro Britânico Boris Johnson fez um apelo nesse domingo, 15, para que os países ocidentais não “reconheçam prematuramente” o Talibã como novo governo do Afeganistão. Johnson afirmou que sua prioridade é retirar os cidadãos britânicos restantes do país, além dos afegãos que ajudaram a missão inglesa na região.

“Não queremos ninguém reconhecendo bilateralmente o Talibã. Queremos uma posição unificada, na medida do possível,  entre todos os que pensam da mesma forma para que façamos o que pudermos para evitar que o Afeganistão volte a ser um terreno fértil para o terror,” disse o primeiro-ministro em uma reunião de emergência convocada após a tomada da capital afegã pelo Talibã nesse domingo 15.

Há pouco mais de um mês, o líder britânico havia informado ao Parlamento, por meio de um comunicado, que não havia razão para esperar um triunfo iminente do Talibã no Afeganistão, o que levantou críticas de que o Reino Unido teria sido pego de surpresa com a escalada do grupo fundamentalista no país

Na tarde de hoje, o primeiro-ministro se justificou dizendo que “estava muito claro” pelo o que eu disse que a situação no Afeganistão iria mudar e que eles sabiam há algum tempo “onde isso daria”. Johnson, porém, atribuiu a velocidade com que o grupo religioso tomou o país à retirada das tropas americanas, que “acelerou as coisas.”

Agora, o parlamento britânico será convocado na quarta-feira, 18, para debater a situação do Afeganistão. Segundo a Agência de notícias AP News, o Conselho de Segurança da ONU também deve se reunir na manhã da segunda-feira, 16, em uma reunião de emergência convocada a pedido da Estônia e da Noruega para debater a questão.

O presidente Ashraf Ghani deixou o Afeganistão nesse domingo, depois de o Talibã sitiar a capital do país. O grupo já tomou grande parte da capital Cabul, e segundo a AP News, pretende declarar o país como Emirado Islâmico do Afeganistão — nome pelo qual atendia antes da invasão americana, iniciada depois dos ataques de 11 de setembro de 2001.