Os dois bombeiros mortos em serviço há quase um mês, ao combater o incêndio na sede da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS), em Porto Alegre, foram homenageados de forma póstuma pela Assembleia Legislativa. Representados por suas famílias, eles receberam nesta quarta-feira (11) a Medalha do Mérito Farroupilha, maior honraria do Parlamento gaúcho.

Em uma cerimônia marcada pela tristeza, a Mesa Diretora da casa ressaltou as trajetórias pessoais e profissionais do primeiro-tenente Deroci de Almeida da Costa, 46 anos, e do segundo-sargento Lúcio Ubirajara de Freitas Munhós, 51 anos. Também foram elogiados pelo profundo respeito e responsabilidade no exercício da profissão. A banda da Brigada Militar executou os hinos nacional e rio-grandense.

As viúvas de Deroci e do segundo-sargento Lúcio Ubirajara, Alessandra Ceci dos Santos e Kátia de Mesquita Munhós, estavam acompanhadas de seus filhos e de outros familiares ao receberam as medalhas. Antes, um minuto de silêncio. Depois, uma salva de palmas no Teatro Dante Barone do Palácio Farroupilha, local da solenidade.

As medalhas foram entregues pelo presidente da Assembleia, Gabriel Souza (MDB), representando os demais 54 deputados estaduais. Junto a ele, o chefe da Casa Civil do Palácio Piratini, Artur Lemos, em nome do governador Eduardo Leite. Também participaram o secretário-adjunto de Segurança Pública, coronel Marcelo Gomes Frota, e o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar, coronel César Eduardo Bonfanti.

Estiveram presentes, ainda, o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Vanius Cesar, representantes do  Exército, Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Casa Militar, Polícia Civil, Instituto-Geral de Perícias, Superintendência dos Serviços Penitenciários, Departamento Estadual de Trânsito, Tribunal de Contas do Estado e entidades de classe.

Viúvas

Alessandra Ceci dos Santos descreveu o marido como um pai amoroso, filho dedicado, irmão compreensivo, colega e amigo generoso, bem como um ser humano que primava pela excelência. Ela também fez um apelo para que as perdas das duas vidas não tenha sido em vão, e por melhorias nas condições de trabalho dos profissionais:

“É necessário investir em prevenção, estrutura e equipamentos de boa qualidade para as guarnições, como rastreadores, plataformas, rádios e rede hidráulica, e a efetiva implementação de planos de prevenção, além de reconhecimento em termos de remuneração, benefícios e plano de carreira, e amparo para os inativos”.

Kátia de Mesquita Munhós, por sua vez, relatou ainda estar muito abalada para se pronunciar, mas afirmou que fazia dela as palavras de Alessandra. Ela então pediu que o sobrinho Leonardo falasse em seu lugar, e foi o que ele fez:

“Meu tio amava ajudar o próximo. Era doador de sangue e sempre tinha alimentos para doar aos necessitados dentro do carro. Como homenagem a ele, peço que todos façam atos de bondade: doem roupas, doem sangue, doem alimentos, doem o que puderem, a exemplo dele, que amou e transmitiu amor até o último dia de vida”.

(Marcello Campos)